Justiça volta a analisar denúncias contra João de Deus nesta segunda
Ele é acusado por centenas de mulheres de abuso sexual
O TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás) volta a analisar as denúncias por violação sexual e estupro de vulnerávelcontra João de Deus, nesta segunda-feira (7), após o término do plantão judiciário.
O processo retorna à “juíza natural”Rosângela Rodrigues dos Santos, responsável pela comarca de Abadiânia, onde o caso tramita.
Durante o plantão, a juíza Marli de Fátima Naves despachou a denúncia para a juíza natural recebe ou rejeita o pedido, alegando que a decisão de tal matéria não cabia ao plantão.
O médium, que está preso desde 16 de dezembro, nega as acusações.
Entenda o caso
João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, é acusado por diversas mulheres de abuso sexual durante os atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior de Goiás.
Após as primeiras denúncias, o MP-GO (Ministério Público de Goiás) criou uma força-tarefa – que conta com quatro promotores, seis delegados e duas psicólogas – para atenderem o caso.
Na noite de 12 de dezembro do ano passado, a Promotoria de Justiça de Goiás solicitou a prisão preventiva do médium, cinco dias depois de as primeiras denúncias de abusos sexuais começarem a aparecer.
Em sua primeira aparição pública, João de Deus ficou cerca de 10 minutos na Casa Dom Inácio de Loyola, se disse inocente e declarou que estava à disposição da Justiça. Em 16 de dezembro, João de Deus se entregou às autoridades. No dia seguinte, prestou depoimento à polícia.
Em 26 de dezembro, João de Deus prestou depoimento ao MP-GO.
O Ministério Público denunciou o médium em 28 de dezembro por quatro crimes: dois por violação sexual mediante fraude e dois por estupro de vulnerável.
Durante as buscas nas casas de João de Deus, foram encontradas armas, esmeraldas e malas de dinheiros. A Justiça de Goiás concedeu habeas corpus pelo porte ilegal de arma. O médium, no entanto, continua preso por ser investigado pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. Para esses crimes, o habeas corpus foi negado.
O MP recebeu mais de 600 e-mails com denúncias contra o médium. As mulheres que denunciaram João de Deus têm idade entre 9 e 67 anos.
Até o momento, a Polícia Civil colheu depoimentos de 16 mulheres. Ministério Público, porém, já ouviu mais de 100. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 50 milhões das contas do médium.
Nesta quarta-feira (2), João de Deus passou mal e foi levado às pressas para Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Na quinta-feira (3), teve alta e voltou para o Núcleo de Custódia, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO), onde está preso.
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