Bebianno avisa que só deixa o governo se tiver 'saída honrosa'
A expectativa de Bebianno é a de ser recebido pelo presidente em breve para uma conversa franca
Em conversa com colegas de governo, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, deixou claro que para deixar o cargo terá que ser construída "uma saída honrosa". Na noite desta quinta-feira (14), Bebianno chegou a se encontrar com os colegas de Palácio do Planalto, os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo).
Mas não esteve com o presidente Jair Bolsonaro. A expectativa de Bebianno é a de ser recebido pelo presidente em breve para uma conversa franca. Para interlocutores, Bolsonaro ainda resistia até a noite desta quinta em fazer esse encontro, e preferia que Bebianno pedisse demissão até segunda-feira (18).
Em conversas reservadas, Bebianno tem dito que faz parte do jogo o presidente mudar os integrantes da sua equipe em qualquer momento. Mas que não pode aceitar o tratamento dispensado por Bolsonaro, que acabou avalizando a fala do seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro, ao chamá-lo de mentiroso.
Depois de uma forte atuação de integrantes da área militar do governo, a temperatura da crise política baixou nas últimas horas. Na avaliação de um ministro próximo ao presidente, isso possibilitará encontrar uma solução negociada para o impasse, evitando sequelas maiores desse episódio.
Como revelou o blog, Bebianno chegou a fazer um desabafo com integrantes do governo. "Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo", alertou. "Não vou sair escorraçado pela porta dos fundos", relatou o ministro a colegas, em uma demonstração de que, se Bolsonaro quiser demiti-lo, terá que assumir o desgaste público de ter que mandar o auxiliar embora com pouco mais de um mês de governo.
No último domingo, reportagem do jornal "Folha de S.Paulo" informou que Bebianno liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata "laranja" de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal e recebeu 274 votos. A "Folha" também noticiou caso semelhante envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, que dirigia o diretório do PSL em Minas Gerais.
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