Brasileiro faz sucesso com projeto de reconstrução de Notre-Dame em vitrais
Projeto do arquiteto brasileiro Alexandre Fantozzi para a reconstrução da Catedral de Notre-Dame, em Paris
Quatro meses depois do incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre-Dame, em Paris, um arquiteto brasileiro apresentou um projeto para reconstrução do local. A proposta de Alexandre Fantozzi, que ganhou as redes sociais e a imprensa de vários países do mundo, é usar vitrais para refazer o teto e a agulha, partes que foram mais prejudicadas pelo fogo.
Em entrevista ao Jornal da Manhã deste sábado (17), Fantozzi contou que seu projeto vai justamente contra os de muitos arquitetos, que estavam muito preocupado com qual formato teria, a partir de agora, a flecha. “Eu pensei em uma reconstrução simples. O design é o mesmo de antes do incêndio, a gente manteve o mesmo formato. Externamente não há, praticamente, nenhuma mudança: a cobertura e a flecha permanecem iguais, só colocamos vitral”, contou.
Talvez por isso a proposta esteja fazendo tanto sucesso. De acordo com uma pesquisa feita no final de abril na França, logo após o incêndio, 54% da população do país deseja ma reconstrução idêntica da Notre-Dame. Somente 25% dos entrevistados pediram por uma reforma “contemporânea” do local.
Na opinião de João Braga, professor e especialista em história da arte e consultor de Fantozzi no projeto, é exatamente isso que tanto os franceses como o presidente, Emmanuel Macron, queriam. “A ideia é muito bonita. Como disse o presidente da França, é preciso uma ‘audácia respeitosa’. Ele quer um projeto com essas características, inovar com elas, mas sem perder o respeito às questões, especialmente às religiosas. Independente da questão nacional, não se pode desrespeitar a espiritualidade cristã”, disse.
Exatamente por isso, o projeto presta muita atenção à parte de dentro da Igreja. “Minha preocupação [Fantozzi] casou perfeitamente com a do professor, que era como o lugar ficaria internamente. As pessoas vão entrar na Catedral e ver o que? Então optei por coisas simples, um único elemento, mais característico da arquitetura gótica e que ficou contemporâneo, mas simples”, explica.
Próximos passos
Apesar do sucesso do projeto entre o público, o arquiteto conta que ainda não sabe o que vai acontecer. Depois de muitos formatos diferentes terem surgido, Macron bloqueou o concurso que seria feito para selecionar um projeto.
Para ele e o professor, ainda não é o momento, em Paris, de se pensar nisso. “Existem problemas. A estrutura toda da Catedral está comprometida, então eles estão preocupados com a estrutura”, explica Braga. “Antes do incêndio, por exemplo, ela suportava ventos de até 200 km/h, agora, são apenas 60 km/h.”, acrescenta.
“A situação ainda está delicada, então deixaram de lado um pouco o concurso. Querem arrumar tudo para depoispensar nisso. Mas também pode ser uma escolha sem concurso”, diz Fantozzi.
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