Nº de candidatos do Enem que optam por nome social aumenta 286%
Na rede de ensino paulista, a quantidade de alunos que solicitaram o mesmo direito teve salto ainda maior: 315%
O número de alunos travestis e transexuais que optam pelo nome social no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aumentou 286% nos últimos seis anos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pelo exame. O total aumentou de 102 em 2014, quando a regra começou a valer, para candidatos para 394 nesta edição.
Na rede de ensino paulista, a quantidade de alunos que solicitaram o mesmo direito teve salto ainda maior: 315%. Dentre os 755 alunos que usam nome social nas escolas estaduais, 285 são menores de idade - sete deles têm menos de 12 anos. A maior parte desses alunos (334) está na Educação de Jovens e Adultos. Há também 101 no ensino fundamental e 320 no ensino médio.
No Estado, o direito de usar nome social nas escolas foi instituído em 2014 por meio de resolução da Secretaria de Educação. O documento permite que os alunos solicitem a inclusão do nome social, acompanhado do civil, em documentos de circulação interna da escola.
No Brasil, a possibilidade foi instituída quatro anos depois, no início de 2018, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). As normas têm como objetivo combater a discriminação a pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais
Tanto a resolução estadual quanto a nacional determinam que o pedido pode ser feito a qualquer tempo, não sendo preciso aguardar o início de novo ano letivo. Estudantes maiores de 18 anos podem fazer isso sozinhos e os menores de idade precisam do intermédio de um adulto responsável. Quem deseja usar o nome social no Enem precisa fazer isso em prazo pré-determinado pelo Inep.
Deputado federal quer sustar regra
Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual (Amtigos) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, credita o aumento de alunos que usam nome social a um maior debate sobre o tema. O psiquiatra avalia que isso serve de recurso para a geração que está definindo sua identidade de gênero. "Eles podem, de alguma forma, experimentar isso e ver como se sentem", explica.
Um projeto de decreto legislativo que tramita na Câmara dos Deputados quer sustar a resolução do CNE. Na justificativa, o deputado Dr. Jaziel (PL-CE), autor do projeto, diz que a intenção é "barrar o andamento da 'Agenda de Gênero' no País". Ele afirma que a resolução não considera o "discurso contrário" à adoção do nome social.
Saadeh não acredita que as escolas deixarão de aceitar o nome social se a resolução for sustada. "Estamos em um momento de revisão de costumes e ter de enfrentar um retrocesso é a coisa mais comum que existe. Apesar disso, tem coisas que são da sociedade e não há como voltar atrás. A adoção do nome social é uma delas", afirma.
Últimas notícias
Rafael Brito defende fim da escala 6x1 e destaca expectativa para votação
Governo de Alagoas conclui saldo residual da segunda parcela dos precatórios do Fundef
Uneal divulga resultado provisório da isenção de taxa na inscrição para concurso
Marina Candia leva Olhar da Gente ao Feitosa e amplia acesso à saúde na comunidade
Foragida da Justiça é presa ao ser reconhecida por câmeras da SSP em Maceió
Motorista perde controle de caminhonete e cai em ribanceira na AL-220, em Batalha
Vídeos e noticias mais lidas
Mistério em Arapiraca: saiba quem era o empresário morto a tiros em condomínio
Cunhado de vereador é encontrado morto a tiros dentro de condomínio em Arapiraca
Creche em Arapiraca homenageia Helena Tereza dos Santos, matriarca do Grupo Coringa
Ciclista morre após ser atingida por carro e ser atropelada por caminhão em Arapiraca
