Eduardo Bolsonaro sobre Joice: "Todo mundo sabe que ela é problema"
Deputado do PSL fala sobre suspensão do partido e sobre atuação da ex-aliada e ex-líder do governo
Durante a viagem que faz à Israel e a países árabes (Abu Dhabi e Israel com grupo de deputados, depois Omã, Bahreim e Kuwait sozinho e novamente Israel), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) falou com o R7 Planalto sobre a suspensão do PSL, que considera uma perseguição política, e os desentendimentos com a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP). Eduardo e um grupo de parlamentares foram suspensos pelo partido, mas a decisão foi derrubada pela Justiça na semana passada.
Sobre a ex-líder do governo no Congresso, com quem tem trocado farpas públicas, o parlamentar disse que ela não é confiável e não teve a atuação esperada como líder. Ele questiona a forma como fazia negociações, "cedia para a esquerda e tentava jogar goela abaixo dos deputados em plenário", e como distribuía cargos e destinava emendas. "A imprensa tem que perguntar quanto ela indicou de emendas e quanto tinha de cargos".
Leia abaixo os principais trechos da entrevista, divididos por temas:
Suspensão do PSL
"A Justiça entendeu que não cabia essa suspensão, notoriamente é uma perseguição. Não existe fundamento para punir não só a mim, como demais deputados do PSL. Foi uma manobra para o retorno da liderança para o chamado grupo do Bivar, que quer colocar na liderança a Joice. O pouco tempo que ela foi líder ela infelizmente trocou deputados de comissões, como da Fake News, tirando os mais atuantes, Filipe Barros e Carolina de Toni, colocando outros deputados que não são aguerridos e ativos nessa área. Então ela não visa um bom desempenho do PSL, mas apenas retaliação. Quando eu estava na liderança fiz o contrário".
Deputados que não seguem o que disseram nas Eleições
"Mas é claro que costumo expor deputados que tiveram um discurso na eleição e mudam, dando entrevistas, criticando o presidente. Isso me sinto na obrigação de expor, porque são deputados desleais e fica para o público o critério de acreditar ou de votar neles novamente. Mas estou fazendo a minha parte".
Joice e destinação de emendas
"Com a relação à deputada Joice, ela está tendo uma birra particular comigo. Ela não dá o exemplo. Indicou muito mais em relação a emendas parlamentares. O governo me chamou para tratar de execução de emendas e eu dei a ordem para que governo executasse o mesmo valor para todos os deputados, para mim, para Joice, para todos. E a Joice não estava fazendo isso quando estava na liderança do governo, tentando emplacar muito mais as suas emendas parlamentares. Então pergunto, o que é ser a Bolsonaro de saia, ser mais filha que os filhos? Essa é a conduta? É agir como determinados outros deputados e líderes que botam a faca no pescoço do presidente em troca de votação? Barganhando com as votações? Acho que não é isso que o eleitorado espera. Por isso tuitei perguntando a imprensa a indagar a deputada Joice de quanto ela indicou de emendas parlamentares? E quanto que ela tinha de cargos? A gente sabe que a liderança precisa de mais cargos, pelo trabalho maior, mas era um exagero o que ela tinha. Então o general não estava marchando do lado do soltado".
Joice e a liderança
"Não adianta ela ser líder. Porque o poder não está ligado ao cargo. Poder é a capacidade de se dizer uma coisa e as pessoas seguirem. A Joice frequentemente falava uma coisa no colégio de líderes. Fazia a negociação dela. Que não era uma negociação. Ela simplesmente cedia pra tudo que a oposição pedia a ela. E quando chegava a votação ela informava à tropa de deputados. Então frequentemente no plenário nós deputados debatíamos a negociação que ela havia feito e tentava colocar goela abaixo dos deputados. Então se você olhar as votações um bom grupo não votava com a Joice porque não se restava convencido. Ela não tem moral para convencer. Porque ninguém confia nela. Ela tem uma arrogância e uma prepotência que já é conhecida, inclusive pelos pares que trabalharam com ela em meios de comunicação onde ela trabalhou. Todo mundo sabe que ela é problema".
Joice e o projeto de poder
"Ela tem um projeto pessoal de poder. Vamos ver até onde que ela vai levar isso. Ela já sentiu o golpe. Perdeu mais de 730 mil seguidores em todas as suas redes sociais e sabe que está fraca para a eleição municipal de São Paulo e vai arranjar uma desculpa para não sair a prefeita e depois pode vir a governadora ou ao sonho dela, a Presidência da República. Certamente ela acha que o presidente é chucro demais para estar na Presidência e que ela seria uma melhor opção. Não é à toa é que no começo do ano ela estava com um slogan: Joice pelo Brasil. Ninguém é bobo. E se dizendo amiga do João Doria. E não tem como acender uma vela a Deus e ao Diabo. Vai chegar um dia que Joice e João Doria, os dois com igual sede de poder e se achando superior a todos os demais, vão entrar em conflito pela Presidência da República ou algum outro cargo. Esse dia vai chegar, pode esperar".
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