Rodrigo Santoro frisa importância da arte em cenário da pandemia
"Estamos vivendo algo desafiador" desabafou ator de 44 anos
Uma crise de saúde somada a complicações políticas e sociais: esta é a tormenta vivida no Brasil durante a pandemia de covid-19 na visão do ator Rodrigo Santoro, que está em Project Power, novo filme da Netflix.
"A situação está muito complicada no Brasil. Temos a crise da saúde e da pandemia, a crise política e social. Estamos vivendo algo desafiador. Está difícil. Estamos seguindo o dia a dia, esperando que a coisa melhore", afirmou o artista em entrevista à Agência Efe.
Santoro acompanha Jamie Foxx, Joseph Gordon-Levitt e Dominique Fishback no elenco de Project Power, longa-metragem de ação dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman e ambientado em Nova Orleans.
O filme gira em torno das disputas dentro e fora da lei pelo controle de uma misteriosa droga que dá poderes sobrehumanos por cinco minutos ao usuário.
PAI NA PANDEMIA
Em meio ao cenário conturbado da pandemia, o ator, de 44 anos e nascido em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, disse que ele e a família estão bem de saúde.
"O que estamos tentando fazer é usar o tempo da melhor maneira possível, respeitando tudo o que deve ser respeitado. Tenho uma filha de três anos, então estou aprendendo a ser pai de uma maneira muito, muito intensa", comentou sobre Nina, filha que teve em 2017 com a atriz Mel Fronckowiak.
Santoro também enalteceu a importância da arte para as pessoas nos momentos de confinamento.
"Tenho estudado muito, tentado me conectar com a arte: literatura, música, filmes, séries, tudo isso. É muito importante reconhecer o valor da arte, principalmente em uma situação como esta", argumentou.
A FACE HUMANA DO VILÃO
Rodrigo Santoro já tem experiência como vilão: é impossível se esquecer do imponente e extravagante rei Xerxes em 300 (2006) e 300: A Ascensão do Império (2014).
Em Project Power, o ator interpreta um traficante de drogas chamado Biggie, mas questiona a utilidade de enquadrar seus personagens moralmente e de forma simplista.
"Inicialmente, nunca consigo olhar para um personagem colocando-o em uma categoria: 'É mau ou bom'. Entendo a função do personagem na história, mas meu trabalho é interpretar uma pessoa, tenho que humanizar esse personagem. Caso contrário, serei uma caricatura", analisou.
"Os vilões fazem coisas ruins, escolhem caminhos tortos. E, com isso, vem muito conflito. O conflito é uma das bases do drama e, certamente, dá para trabalhar muito nisso", complementou.
Além de trabalhar lado a lado com os diretores para que o seu retrato não fique superficial e nos estereótipos habituais dos criminosos, Santoro, que se destacou nos últimos anos pela participação na série Westworld, opinou que "humanizar um vilão" é um grande e estimulante desafio para um ator.
"São os mais difíceis de humanizar. De início, o espectador olha e fala: "Eu o odeio, não quero saber quem ele é, não quero saber por que ele faz isso, não gosto dele", exemplificou.
"Então, é um desafio muito maior. Se eu conseguir fazer com que o espectador entenda o personagem, que o conheça mesmo que não goste dele, mas que o compreenda, então meu trabalho está feito", explicou.
Reportagem: David Villafranca
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