Polícia resgata idosa internada em asilo por filho; homem gastava economias da mãe
Vanda emagreceu 40 quilos durante o período da internação na clínica de repouso, e tomava banho a cada dois dias.
A polícia resgatou uma idosa de 86 anos colocada em uma clínica de repouso por um dos filhos, que usava o dinheiro da mãe. A polícia abriu inquérito de sequestro e cárcere privado, e vai investigar possíveis crimes cometidos pelo filho responsável pela internação e pela dona da clínica.
Lúcida, saudável e com meios próprios de sustento, Dona Vanda Manfredine deveria ter ficado no local somente durante a recuperação da cirurgia após fraturar o fêmur. Mas foi mantida no asilo contra a sua vontade, sob a alegação de que estaria com Alzheimer.
A família da idosa, que mora no interior, entrou na Justiça para provar que Vanda não precisava de um cuidador porque não teria a doença. E descobriram, por extratos bancários, que ela estava sendo lesada pelo filho que a internou.
Leandro de Oliveira, advogado da família da idosa, relatou que o filho que a internou entrou com uma ação na Justiça sem conhecimento do irmão.
“Vários valores foram sacados da conta bancária dela. Eram pagas contas de bebidas, de boates. A gente descobriu um saque de quase R$ 200 mil, e ela tinha quase R$ 500 mil. Ela era mantida na casa de repouso para que o dinheiro dela pudesse ser usado”, contou o advogado.
O delegado do caso, Alexandre Ianovalli, contou que Vanda está lúcida e manifestava o desejo de ir embora.
Vanda emagreceu 40 quilos durante o período da internação na clínica de repouso, e tomava banho a cada dois dias. Vanda comentou que chegou a ficar amarrada.
Durante as tentativas de contato da família, a casa de repouso dizia que as visitas estavam proibidas. O contato telefônico também era controlado, e até o celular da idosa foi confiscado pela dona da clínica.
Depois de um ano e meio, dona Vanda voltou a sorrir e conta como se sentiu durante todo esse tempo. “Eu via os ônibus passando na rua e chorava, dizia: ‘meu Deus, aquela gente é livre e eu não sou livre, estou num presídio”, desabafou. “Pensei que iria sair de lá morta”.
As investigações devem seguir na 4ª Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso.
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