Inflação da cesta básica é 55% maior do que o IPCA em um ano
Itens básicos saltaram 15,96% entre outubro de 2020 e setembro de 2021
Os produtos presentes na cesta básica de consumo das famílias ficaram 15,96% mais caros nos últimos 12 meses, aponta estudo inédito divulgado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Paraná. O percentual é mais de 55% superior ao apurado pela inflação oficial, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que acumula variação de 10,25% no mesmo período.
“Sem dúvida, a inflação afeta muito mais as pessoas de rendimentos mais baixos, mas na atual conjuntura ela tornou os preços dos itens da cesta básica inacessíveis para muitos brasileiros, pois é maior que a inflação média do IPCA”, afirma Jackson Bittencourt, coordenador do curso de economia da PUC-PR.
Na análise individual dos itens, as maiores altas registradas no período foram contabilizadas pelos preços do açúcar cristal (+38,37%) e do óleo de soja (+32,06%). Também apresentam variações significativas o café moído (+28,54%), o contrafilé (+26,88%), a margarina (+24,97%), a batata-inglesa (+24,71%), o tomate (+24,32%) e a banana-prata (+22,36%).
Por outro lado, as altas menos significativas ao longo dos últimos 12 meses partem do feijão-carioca (+1,92%), do leite longa vida (+3,18%) e da farinha de mandioca (+4,52%). Conforme a divulgação, nenhum dos produtos presentes na cesta básica de alimentos ficou mais barato.
Neste ano, o cenário é diferente, com a inflação global, de 6,09%, em nível quase 50% superior à variação de 3,12% dos itens da cesta básica no acumulado de janeiro a setembro. Contribuem para a alta em ritmo menor a queda nos preços da batata-inglesa (-23,38%) e do arroz (-10,98%), que foi insuficiente para reverter a disparada dos dois itens ao longo do ano passado.
Bittencourt explica que o cálculo considera as despesas de consumo das famílias residentes nas áreas urbanas, com rendimentos entre 1 (um) e 40 (quarenta) salários mínimos, de acordo com dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“O indicador é calculado com base nos 13 produtos de alimentação definidos pelo decreto-lei n° 399, de 30 de abril de 1938, que regulamentou o salário mínimo no Brasil e continua em vigência”, afirma o coordenador do estudo que teve sua primeira divulgação a partir dos dados de setembro.
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