Frutas, legumes e verduras assumem o posto de vilões da inflação no início de 2022
Salto dos preços que assustaram os consumidores nas feiras livres e nos hortifrútis
Depois de a ida ao posto de gasolina traumatizar os brasileiros no ano passado, o início de 2022 é marcado por pesadelos dos consumidores nos corredores das feiras livres e dos hortifrútis.
Nos dois primeiros meses do ano, itens dos subgrupos de tubérculos, raízes e legumes (+20,9%), hortaliças e verduras (+24,8%) e frutas (+7,1%) figuram como os principais vilões da inflação, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Entre os itens, a cenoura quase dobrou de preço (+98,4%) e corresponde ao maior salto registrado pelo índice oficial de preços no acumulado do primeiro bimestre.
A abobrinha (+64,7%), o repolho (+35,9%), a batata-inglesa (+35,4%), o pepino (+31,4%) e a alface (+30,5%) também apresentaram variações significativas no período.
Entre as frutas, os principais destaques negativos partiram do morango (+26%), da laranja-baía (+25,7%), da melancia (+24,7%), da banana-prata (+14,7%) e do melão (+14,4%).
Somadas, as altas contribuíram para o avanço de 2,4% do grupo de alimentação e bebidas no acumulado dos primeiros meses de 2020, com disparadas acima de 1% em ambos os meses e maior impacto final para as famílias nos dois períodos.
Ao analisar o índice de fevereiro, o gerente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) responsável pela pesquisa, Pedro Kislanov, ressalta que o clima foi a principal razão para as variações significativas.
“Em fevereiro, o grupo de alimentação sofreu impactos dos excessos de chuvas e também de estiagens que prejudicaram a produção em diversas regiões de cultivo no Brasil”, avalia Kislanov.
O chefe da seção de economia da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), Thiago de Oliveira, também atribui a variação significativa nos preços das hortaliças aos efeitos climáticos. "O setor sofreu com duas geadas e na sequência uma estiagem prolongada", recorda.
Diante da situação, Oliveira destaca que a reposição das perdas foi afetada pela valorização de fertilizantes e defensivos, que são negociados em dólar, e ocasionaram redução das áreas de cultivo.
"Quando os produtores estavam para colher novamente, esses produtos sofreram com as chuvas de 2022 que assolaram, principalmente, a região Sudeste e o sul da Bahia", completa Oliveira, ao analisar a situação do segmento.
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