A revolução dos técnicos estrangeiros no futebol brasileiro
Quando o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, escalou um time reserva para enfrentar o São Paulo, em novembro de 2021, provocou a ira de parte da torcida. Afinal, o rival tricolor estava cambaleante, e era a chance de empurrar o adversário para a incômoda zona de rebaixamento. Mas ao ser questionado, Abel foi categórico e disse: “eu tenho um plano”. Alguns dias mais tarde, um descansado Palmeiras se impôs contra o Flamengo e conquistou o tricampeonato da Libertadores da América.
O plano de Abel deu certo. Mas muito porque ele fez algo que um treinador brasileiro não faria, ou melhor, não se arriscaria a fazer. Afinal, os técnicos nacionais sabem o quanto a ira dos torcedores pode ser fatal para seu emprego. Abel, porém, seguiu seu instinto. E hoje, com dois campeonatos continentais, é uma unanimidade no mundo do futebol.
Esse é um exemplo de como os treinadores estrangeiros estão chacoalhando o mercado da bola nacional. Basicamente, as novas caras estão trazendo novos conceitos, novas filosofias e novas maneiras de pensar o jogo. A começar do que vem antes do jogo: a preparação.
Apesar de parecer óbvio, nem todos os clubes de futebol fazem uma boa preparação antes de cada partida. E estar bem-preparado é fundamental, como podem atestar jogadores de outras modalidades tais como o poker. Nesse popular jogo de cartas, a preparação é tida como uma das chaves do sucesso é imprescindível para quem quer ir longe. Se os brasileiros não prestam muita atenção ao pré-jogo, os técnicos estrangeiros já vieram com essa ideia na bagagem.
Eles têm dedicado muito tempo estudando os adversários da próxima jornada, suas fraquezas e suas fortalezas. E, mais importante, adaptam o time às circunstâncias, por vezes alterando peças, posicionamento e estratégia. Foi-se a ideia ultrapassada de que o time tinha que “jogar o seu jogo”, seja qual fosse o adversário. Dentro de um padrão estrutural, há variações possíveis. E que podem ser usadas em uma única partida.
Criando craques
Outro benefício das ideias vindas de fora pode ser verificado no desenvolvimento de jogadores. Técnicos como Juan Pablo Vojvoda têm a capacidade de fazer um jogador desempenhar melhor suas funções. No Fortaleza, Vojvoda conseguiu fazer com que Ronald e Tinga, dois atletas que nunca estiveram nos holofotes, se transformassem em peças-chaves para uma campanha de recuperação no Brasileirão 22.
Isso não é acaso. O comandante enxergou o potencial e soube extraí-lo dos jogadores. Dá mais trabalho – afinal é sempre mais fácil deixar o atleta mofando no banco – mas para o clube vale ouro. Ou no mínimo muitos dólares em uma transferência internacional.

Treinadores estrangeiros também não douram as pílulas. Quando estão insatisfeitos com um profissional, falam claramente, e evitam assim fofocas de vestiário. Vítor Pereira, comandante do Corinthians, deixou Roger Guedes no banco e disse que ele precisava treinar mais e melhor para ser escalado. A princípio, o loiro atacante se revoltou, soltou indiretas em redes sociais e... Pereira manteve-se firme. Com o tempo, Guedes viu que só havia um caminho e, após reiterados bons treinos, voltou ao time titular.
O outro lado
Mas passaporte internacional não garante sucesso no futebol brasileiro. Há vários que vieram e voltaram. Gareca, Bauza, Jesualdo, Domenec, Sá Pinto, Miguel Angel Ramirez, Paulo Sousa, “Cacique” Medina e “Turco” Mohamed formam uma lista de insucessos. Todos bons técnicos. Mas a maioria não entendeu, ou não se preparou, para o modo como funciona esse louco mercado brasileiro de futebol.
Outros foram vítimas da impaciência que resulta da soma de dirigentes molengas com torcidas afoitas. E alguns tiveram algum sucesso, mas também sucumbiram à primeira crise – é o caso de Hernán Crespo e Jorge Sampaoli. Este último não espera a crise chegar – ele mesmo a produz. O Sevilha, possível próximo clube do técnico argentino que se cuide.
Mesmo com os insucessos, a vinda de técnicos estrangeiros tem feito bem ao Brasil. De novos conceitos táticos a entrevistas coletivas com mais substância, os ganhos têm sido notáveis. Mas não deveriam surpreender. Afinal, é isso que se espera quando se abre um intercâmbio de profissionais competentes. Uma ideia que pode transcender os campos e contaminar favoravelmente outras áreas de conhecimento.
Veja também
Últimas notícias
Idosa é assassinada dentro de casa e neto de 17 anos é apontado como principal suspeito em Igaci
Cabeleireira é encontrada morta em canavial e homem confessa crime em São Miguel dos Campos
Cibele Moura participa de evento da PM em homenagem ao Dia da Mulher na orla de Maceió
Prefeitura de Rio Largo realiza evento Move Mulher em homenagem ao Dia Internacional da Mulher
Mais de 200 processos terão atuação do MP em mutirão contra violência doméstica
Filhotes de tartarugas marinhas são soltos na praia de Guaxuma e encantam crianças
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Subcomandante de unidade da PM de AL é denunciado por agredir a esposa, também policial militar
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
