Lula diz que relação com EUA está indo muito bem: 'Temos o Trump da TV e o da vida real'
Presidente brasileiro conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nessa terça-feira (2) e disse que foi uma conversa 'extraordinária'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou nesta quarta-feira (3) a ligação que fez ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça (2).
"Eu posso dizer que, toda vez que eu converso com o Trump, eu me surpreendo. Porque, muitas vezes, você vê o Trump na televisão, muito nervoso. Na conversa pessoal, ele é outra pessoa. Eu fiz questão de dizer para ele, temos dois Trump: o da televisão e o da conversa pessoal".
O presidente deu a declaração em entrevista à TV Verdes Mares, de Fortaleza. A fala de Lula ocorre um dia depois dele ter ligado para Trump.
Essa é a terceira vez que os dois mandatários conversam desde que sanções foram impostas ao Brasil pelos Estados Unidos. Dessa vez, o telefonema durou 40 minutos (leia mais abaixo).
Na ocasião, o petista defendeu a retirada de tarifas que ainda incidem sobre alguns produtos brasileiros.
Contudo, reconheceu como "muito positiva" a decisão norte-americana de retirar a tarifa adicional de 40% imposta a alguns produtos, como carne, café e frutas.
Nesta quarta, Lula confirmou a informação e ainda que os dois chefes de Estado também trataram do enfrentamento a organizações criminosas internacionais.
"Da mesma forma q o povo teve uma notícia ruim, está perto de ouvirmos mais uma notícia boa. Conversei seriamente com Trump, da necessidade dele compreender sobre as duas maiores democracias. Disse também sobre o combate ao crime organizado, mandei documento pra ele e disse que estamos dispostos a trabalhar junto na fronteira e onde tiver", pontuou Lula.
"O crime organizado é um atraso, foi uma conversa extraordinária. Temos o Trump da televisão e o Trump da vida pessoal, falei pra ele da química boa, estamos bem, não há porque ter divergência. Pode esperar, muita coisa pode acontecer", reforçou o presidente.
Tarifaço
No fim de novembro, os EUA retiraram a tarifa extra sobre mais de 200 produtos brasileiros, incluindo café, carne bovina, cacau e frutas.
A decisão amplia a lista de exceções ao tarifaço e ocorreu após reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
O governo americano justificava o tarifaço como uma resposta a ações do governo Brasil, que ameaçaria a segurança nacional americana.
O tarifaço começou a vigorar em agosto no Brasil. Outros países também foram alvo de Trump.
Nessa época, a relação entre os países estava estremecida. Além das tarifas, o governo norte-americano impôs sanções a autoridades brasileiras — algo que ainda não foi negociado entre os presidentes.
No entanto, tudo mudou na Assembleia Geral da ONU, em setembro, quando Trump teve um rápido encontro com Lula antes do seu discurso e afirmou ter tido uma "excelente química" com o presidente brasileiro.
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