Segurança

Casos de desaparecimentos escancaram disputa por tráfico entre PCC e CV na Rota dos Milagres

De acordo com a SSP/AL todos os 19 desaparecidos têm ligação com o crime organizado

Por Maurício Silva 15/04/2026 09h09 - Atualizado em 15/04/2026 10h10
Casos de desaparecimentos escancaram disputa por tráfico entre PCC e CV na Rota dos Milagres
Polícia vem fazendo várias operações na região da Rota Ecológica - Foto: Ascom SSP/AL

A Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) divulgou nesta terça-feira (14) que todos os 19 casos de desaparecimento registrados na região da Rota Ecológica dos Milagres têm ligação direta ou indireta com o tráfico de drogas e o crime organizado. O fato escancarou a disputa pelo comando do comércio ilegal de entorpecentes na região entre as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

A Rota Ecológica dos Milagres, no Litoral Norte, engloba os municípios de Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres e Passo de Camaragibe, e é um dos principais destinos turísticos da Costa dos Corais, mas o avanço de facções criminosas tem causado temor na região, levando a execuções e desaparecimentos. A onda de desaparecimentos tem assombrado a população.

O levantamento da SSP/AL, com apoio da Polícia Civil e da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar, identificou a presença e a rivalidade de ao menos quatro grupos criminosos com atuação na região: a Tropa do Kebinho, vinculada ao Comando Vermelho (CV); o Trem Bala do CV; o PCC (Primeiro Comando da Capital), facção rival; e a Tropa dos Crias, sediada em São José da Coroa Grande-PE e ligada ao PCC.

Desaparecidos


Segundo a SSP/AL, o trabalho de inteligência identificou que os desaparecidos possuem antecedentes criminais formais, vínculos ativos a organizações criminosas ou dívidas com o narcotráfico. As investigações em curso apontam para dinâmicas internas do crime organizado como fator determinante nas ocorrências: disputas territoriais entre facções rivais, cobranças por dívidas do narcotráfico, punições por suspeita de delação e transgressões aos códigos internos dos próprios grupos.

Dos 19 registros, 18 são homens e uma é mulher. A maioria é natural de São Miguel dos Milagres ou de localidades próximas. Os demais são oriundos de outros municípios alagoanos e de estados como Sergipe e Pernambuco. Os dados abrangem o período de 2022 a 2026.