Juros do cartão de crédito caem e chegam a 428,3% em março, aponta Banco Central
Juros do cartão de crédito caem e chegam a 428,3% em março, aponta Banco Central
A taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito voltou a cair e chegou a 428,3% ao ano em março, segundo menor valor em quase dois anos. O indicador teve queda de 7,6 pontos percentuais em relação a fevereiro, quando a taxa era de 435,9% ao ano. A informação consta das Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central.
Na prática, isso significa que qualquer dívida no cartão de crédito feita há um ano cresce cinco vezes se o consumidor não pagar a fatura no dia do vencimento.
Por exemplo, o consumidor que devia R$ 800 em março do ano passado precisa desembolsar um adicional de R$ 3.426,4 para quitar o saldo devedor com a instituição financeira após um ano, totalizando uma dívida de R$ 4.226,4.
Apesar da alta dos juros, em dezembro de 2023, o Conselho Monetário Nacional determinou um limite de 100% para as taxas de juros do rotativo após o Congresso Nacional aprovar uma lei com essa regra.
Sendo assim, com a nova norma, se a dívida for de R$ 200, por exemplo, o valor total, com a cobrança de juros e encargos, não poderá exceder R$ 400.
Descumprimento da lei?
As taxas apresentadas pelo BC podem sugerir, portanto, que os bancos estejam descumprindo a lei, mas o que acontece é apenas um registro estatístico. Para chegar às taxas anuais, a autoridade monetária extrapola o juro cobrado ao mês pela instituição financeira para o ano.
Essa taxa, porém, nem sempre é efetivada porque, geralmente, são apenas por alguns dias ou semanas que o consumidor fica “pendurado” no cartão, que costuma ter as taxas mais elevadas.
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, explicou que a instituição não pretende descontinuar essa série histórica.
Isso porque ela ainda serve como referência para mostrar a velocidade de aumento ou redução dos juros e também porque é um dos componentes para se chegar à taxa cobrada pelo sistema na totalidade.
Cheque especial
O cheque especial, segunda linha de crédito mais cara disponível no mercado, que está embutido na conta-corrente dos brasileiros, também caiu em março. Os juros médios chegaram a 137,9% ao ano, 8,4 pontos percentuais a mais do que o registrado em fevereiro.
No cheque especial, uma dívida de R$ 800 mantida por um ano sem pagamento salta para R$ 1.903,20.
Crédito consignado
Para driblar os índices das modalidades com as maiores taxas de juros do mercado, os consumidores podem aderir ao empréstimo consignado, que oferece desconto direto na folha de pagamento. Assim como os demais, a taxa da linha de crédito teve queda de 0,2 ponto percentual em março e figura em 28% ao ano.
Dentro do consignado, as taxas variam entre os grupos de profissionais, com a menor delas cobrada aos beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), 24% ao ano.
Para os servidores públicos e trabalhadores do setor privado, as cobranças figuram, respectivamente, em 23,7% e 56,8% ao ano.
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