Política

Vídeos e acusações: entenda a briga entre Michelle e Flávio e o racha na família Bolsonaro

Ex-primeira-dama descreveu episódio em que ela e o senador divergiram sobre aliança com chapa de Ciro Gomes na eleição do Ceará

Por 7Segundos, com G1 25/06/2026 09h09
Vídeos e acusações: entenda a briga entre Michelle e Flávio e o racha na família Bolsonaro
Michelle publicou vídeo em suas redes sociais - Foto: Reprodução

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou no fim da tarde de quarta-feira (24) um depoimento em suas redes sociais em que diz ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato à Presidência nas eleições de outubro.

Em dois vídeos, Michelle expõe uma briga com Flávio e diz que eles não se falam desde o fim de 2025. A discussão dos dois envolve a disputa pelo palanque do PL no Ceará, em que o partido tentou se aliar com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) -- apoio criticado por Michelle.

A ex-primeira-dama alega que não fez o depoimento com o objetivo de ser candidata no lugar de Flávio Bolsonaro ao rebater "fofoqueiros vazadores" de informação que, segundo ela, dizem que ela ficou incomodada com a escolha do senador como presidenciável.

"Minha prioridade agora não são candidaturas, minha prioridade agora é cuidar da minha família, do meu marido que está precisando de mim", disse.

O que disse Michelle em 4 pontos


Veja os principais trechos:

Telefonema com Flávio
Postagens nas redes sociais
Atuação na pré-campanha de Flávio
Ex-primeira-dama relata que não se fala com Flávio

Nas postagens de aproximadamente 30 minutos cada, Michelle detalha um episódio em que disse ter sido humilhada por Flávio depois de participar de um evento no Ceará em que criticou a aliança que se desenhava entre o partido e Ciro Gomes.

Ao longo do depoimento, Michelle se refere a Flávio pelo nome, como "meu enteado" e "pré-candidato", sem usar o sobrenome "Bolsonaro" em nenhum momento.

1. Telefonema com Flávio

"Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele", afirmou a ex-primeira-dama.

"Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço", continuou.

2. Postagens nas redes sociais

A ex-primeira-dama afirmou no vídeo que, depois de Flávio, os outros filhos de Jair Bolsonaro fizeram postagens similares em resposta ao seu posicionamento no Ceará. Para ela, a reação pareceu algo "premeditado".

"Para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política. Tudo bem, eu me recolhi. E desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou e é só isso", disse Michelle, ao dizer que o vídeo serve para "desmentir as narrativas e notícias que circulam na imprensa. Eu sei quem as planta. Eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam", afirmou Michelle em trecho do seu pronunciamento.

3. Atuação na pré-campanha de Flávio

No vídeo, a ex-primeira-dama nega que tenha exigido um pedido de desculpas de Flávio para anunciar apoio à candidatura.

"Eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo", afirmou.

Em outro momento dos vídeos, sem citar nomes, Michelle afirma que sofre ataques diários de um grupo que está no exterior, que "alguns deles" aparecem em fotos com Flávio e que a filha adolescente, Laura, sofre com isso, porque "acompanha tudo". Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o ano passado.

"Fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir. Não me atingem, eu sei quem eu e o meu marido somos. Mas será que eles pensam no que estão provocando na vida da minha filha? Ela é uma adolescente que acompanha tudo, que lê tudo e que sente tudo", diz.

4. Ex-primeira-dama relata que não se fala com Flávio

No vídeo, Michelle contou que ela e Flávio não se falam, embora o senador vá à sua casa com frequência.

"Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado."

"Eles não se importam. Para eles tudo é política, e uma política que não existe em função do ser humano. Esse tipo de política não serve para nada além de egoísmo", afirma.

Na manhã desta quinta-feira (25), Michelle voltou às redes sociais e publicou um story em tom de pacificação. A ex-primeira-dama afirmou que não tem “raiva de ninguém” e disse ter apenas esclarecido uma situação que, segundo ela, estava sendo “deturpada”.

“Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição”, escreveu Michelle.

Na mesma publicação, ela pediu que trechos de sua fala não fossem retirados de contexto “para gerar confusão” e afirmou que “uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito”. Ao fim do texto, Michelle escreveu: “Fiquem em paz”.

O motivo da crise

O episódio aconteceu, segundo Michelle, após um comício em que participou no Ceará, no fim do ano passado. À época, Michelle criticou a negociação de palanque no Ceará em que o PL estava em busca do apoio de Ciro Gomes (PSDB), que havia criticado Jair Bolsonaro à época em que ele era presidente.

À época, Michelle estava no palco do evento em Fortaleza e apontou para o deputado André Fernandes (PL-CE), um dos articuladores da aproximação com Ciro, e afirmou que a aliança havia sido "precipitada".

“É sobre isso. É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”, disse Michelle, olhando para Fernandes, na oportunidade.

Gomes é pré-candidato ao governo do Ceará. Pesquisa Quaest divulgada em abril sobre as eleições locais indicam Ciro Gomes na liderança das intenções de voto, com 41%, e Elmano de Freitas (PT) com 32%. Eduardo Girão (Novo) é o terceiro, com 4%. A aliança do PL previa o apoio de Gomes à candidatura presidencial de Flávio com palanque no estado.