Bloqueado em redes sociais, Bolsonaro busca Telegram para propagar fake news
Aplicativo não cumpre determinações do TSE e falta de representantes no Brasil dificulta comunicação com plataforma
Após o Facebook, YouTube e Instagram anunciarem a suspensão temporária de suas contas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passou a investir no Telegram para se comunicar com apoiadores. A informação é da jornalista Bela Megale, no jornal O Globo .
O aplicativo russo tem ganhado cada vez mais adeptos as ideologias de Bolsonaro e passou a contar com investimentos do próprio presidente e de seus filhos. Em seu canal, com mais de 1 milhão de inscritos, Jair Bolsonaro divulga vídeos, imagens, áudios e, às vezes, notícias falsas.
Na visão da equipe da presidência da República, o uso da plataforma é mais viável neste momento, já que não há um crivo ou possibilidade de bloqueio de contas pelas publicações feitas, mesmo que sejam informações falsas. Nesta semana, redes sociais suspenderam as contas do presidente após Bolsonaro divulgar em sua live semanal uma informação que associa a vacina contra a Covid-19 com possibilidade de infecção da AIDS. A informação foi desmentida pelo governo do Reino Unido, órgão em que Bolsonaro informou ter sido responsável pela pesquisa.
Outro ponto que conta a favor do aplicativo russo é não acatar decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sediado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a plataforma não tem representantes no Brasil, o que dificulta a comunicação de decisões judiciais que envolvem o aplicativo.
Devido ao aumento de fake news na plataforma de troca de mensagens, a Câmara dos Deputados deve discutir nas próximas semanas uma proposta que inibe o uso do aplicativo no Brasil. A proposta é relatada pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que pretende entregar seu texto até o fim desta semana.
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