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Polícia Civil identifica 99 suspeitos mortos em megaoperação no Rio de Janeiro

De acordo com autoridades fluminenses, cerca de 40 eram de outros estados

Por CBN 31/10/2025 15h03
Polícia Civil identifica 99 suspeitos mortos em megaoperação no Rio de Janeiro
Moradores levam dezenas de corpos à praça da Penha após operação mais letal do Rio de Janeiro - Foto: José Lucena/Thenews2/Agência O Globo

O governo do Rio de Janeiro informou que foram identificados 99 dos 117 suspeitos mortos na operação de terça-feira nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital fluminense. Entre eles, estão os chefes do tráfico de drogas de várias localidades, como Russo, que comandava o crime em Vitória; Chico Rato, de Manaus; Mazola, da cidade baiana de Feira de Santana; e Fernando Henrique dos Santos, de Goiás.

Segundo o secretário estadual de Polícia Civil, o delegado Felipe Curi, 42 tinham mandado de prisão pendente e o levantamento feito em um banco de dados apontou ainda que 78 tinham histórico criminal grave. Pelo menos 40 eram de outros oito estados.

De acordo com a polícia, foram 121 mortes, sendo 117 suspeitos e 4 policiais. Além disso, 113 presos, sendo 33 de outros estados, como Amazonas, Bahia, Ceará, Pará e Pernambuco; 10 menores infratores apreendidos; 91 fuzis, 26 pistolas, 1 revólver apreendidos; e 1 tonelada de drogas apreendida. 

Lista completa dos mortos identificados:

Adailton Bruno Schmitz da Silva, 35 anos
Adan Pablo Alves de Oliveira, o Madruga, 28 anos
Aleilson da Cunha Luz Junior, o Madrugadão, 26 anos
Alessandro Alves de Souza, 32 anos
Alessandro Alves Silva, 19 anos
Alexsandro Bessa dos Santos, o Prejudicado, 51 anos
Alisom Lemos Rocha, o Russo ou Gordinho do Valão, 27 anos
Anderson da Silva Severo, o Maestro / Uander, 38 anos
André Luiz Ferreira Mendes Junior, o Cabeludo, 22 anos
Arlen João de Almeida, o Terrorista / João, 31 anos
Brendon César da Silva Souza, 25 anos
Bruno Correa da Costa, o Bruno, 30 anos
Carlos Eduardo Santos Felício, 21 anos
Carlos Henrique Castro Soares da Silva, o Soldado, 27 anos
Cauãn Fernandes do Carmo Soares, 19 anos
Célio Guimarães Júnior, 29 anos
Claudinei Santos Fernandes, o CL, 17 anos
Cleideson Silva da Cunha, o Loirinho, 27 anos
Cleiton Cesar Dias Mello
Cleiton da Silva, o Mãozinha, 33 anos
Cleiton Souza da Silva
Cleys Bandeira da Silva, 26 anos
Danilo Ferreira do Amor Divino, o Mazola, 38 anos
Diego dos Santos Muniz, 29 anos
Diogo Garcez Santos Silva, o DG, 31 anos
Douglas Conceição de Souza, o Chico Rato, 32 anos
Eder Alves de Souza, 37 anos
Edione dos Santos Dias, 35 anos
Edson de Magalhães Pinto, o Mangote, 21 anos
Emerson Pereira Solidade, o Piter, 27 anos
Evandro da Silva Machado, 38 anos
Fabian Alves Martins
Fabiano Martins Amancio, 28 anos
Fabio Francisco Santana Sales, 36 anos
Fabricio dos Santos da Silva
Felipe da Silva, o Tíuba, 32 anos
Fernando Henrique dos Santos, 29 anos
Francisco Myller Moreira da Cunha, o Gringo / Suiça, 32 anos
Francisco Nataniel Alves Gonçalves, 48 anos
Francisco Teixeira Parente, o Mongol, 30 anos
Gabriel Lemos Vasconcelos, 23 anos
Gustavo Souza de Oliveira
Hercules Salles de Lima, 24 anos
Hito José Pereira Bastos, o Dimas, 31 anos
Jean Alex Santos Campos
Jeanderson Bismarque Soares de Almeida, o Bis, 33 anos
Jonas de Azeredo Vieira, 29 anos
Jônatas Ferreira Santos, o Joni Visão, 37 anos
Jonatha Daniel Barros da Silva, 18 anos
José Paulo Nascimento Fernandes
Josigledson de Freitas Silva, o Gleissim / Traquino, 34 anos
Juan Marciel Pinho de Souza, 20 anos
Kauã de Souza Rodrigues da Silva
Kauã Teixeira dos Santos, 18 anos
Kleber Izaias dos Santos
Leonardo Fernandes da Rocha, 35 anos
Luan Carlos Dias Pastana, o Luan Castanhal, 35 anos
Luan Carlos Marcolino de Alcântara, o Tubarão, 24 anos
Lucas da Silva Lima, o LK / Pezão, 29 anos
Lucas Guedes Marques, 29 anos
Luciano Ramos Silva, 32 anos
Luiz Carlos de Jesus Andrade, o Zóio, 23 anos
Luiz Claudio da Silva Santos, 28 anos
Luiz Eduardo da Silva Mattos, 21 anos
Maicon Pyterson da Silva, o DJ, 28 anos
Maicon Thomaz Vilela da Silva, o MK, 31 anos
Marcio da Silva de Jesus, 22 anos
Marcos Adriano Azevedo de Almeida, o BC / Beiço / Mateus / Matheus, 32 anos
Marcos Antonio Silva Junior, 25 anos
Marcos Vinicius da Silva Lima, o Rodinha / Brancão / MV, 27 anos
Marllon de Melo Felisberto, o Branquinho ou Balão, 28 anos
Maxwel Araújo Zacarias, o Dedão, 38 anos
Michael Douglas Rodrigues Fernandes, 28 anos
Michel Mendes Peçanha, o Diguerra, 14 anos
Nailson Miranda da Silva, o Moju / Mujuzinho, 27 anos
Nelson Soares dos Reis Campos, o Cabeludo, 27 anos
Rafael Correa da Costa
Rafael de Moraes Silva, 31 anos
Ricardo Aquino dos Santos
Richard Souza dos Santos, o Prejudicado, 20 anos
Rodolfo Pantoja da Silva, 28 anos
Ronald Oliveira Ricardo, 25 anos
Ronaldo Julião da Silva, 46 anos
Tiago Neves Reis, 26 anos
Vanderley Silva Borges, 28 anos
Victor Hugo Rangel de Oliveira, 32 anos
Vitor Ednilson Martins Maia, o Ipixuna do Pará, 25 anos
Wagner Nunes Santana
Waldemar Ribeiro Saraiva, o Fantasma, 21 anos
Wallace Barata Pimentel, o Pizza, 27 anos
Wellington Brito dos Santos, 20 anos
Wellinson de Sena dos Santos, 20 anos
Wendel Francisco dos Santos, 24 anos
Wesley Martins e Silva, o PP, 27 anos
Willian Botelho de Freitas Borges, 23 anos
Yago Ravel Rodrigues Rosário, o Ravel do CV, 19 anos
Yan dos Santos Fernandes, 20 anos
Yure Carlos Mothé Sobral Palomo, 23 anos
Yuri dos Santos Barreto, 22 anos

A investigação chegou à conclusão que os complexos alvos da ação passaram da posição de quartel-general do Comando Vermelho no Rio de Janeiro para a QG da facção em todo o Brasil. Com isso, decisões relevantes de movimentação, expansão territorial e negociações eram concentradas nos complexos da Penha do Alemão, como afirmou o delegado.

'Até aquela retomada, aquela ocupação que houve em 2010, eram o QG do Comando Vermelho apenas aqui no estado do Rio de Janeiro. Essa constatação de hoje aqui mostra que os complexos da Penha e do Alemão passaram a ser o QG do Comando Vermelho em nível nacional. São desses complexos que partem todas as ordens, decisões e diretrizes da facção para todos os outros estados onde o Comando Vermelho tem atuação, praticamente em todos os estados do Brasil'.

A divulgação da lista ocorre após entidades ligadas aos direitos humanos denunciarem o caso e pedirem ao Ministério Público que os nomes dos mortos sejam tornados públicos. A informação é considerada essencial por organizações civis e familiares que ainda não sabem se seus parentes estão entre as vítimas e não conseguem localizar os corpos.

O Instituto Médico-Legal (IML) do Rio prometeu liberar até o fim de semana todos os corpos das pessoas que morreram na operação contra o Comando Vermelho. Segundo a Polícia Civil, o Instituto já concluiu a perícia em mais de 100 dos 121 corpos, e mais da metade já foi liberada para as famílias. Os quatro policiais mortos no confronto já foram enterrados. Treze agentes ficaram feridos e permanecem internados.

A Defensoria Pública do Estado pretendia acompanhar os exames no IML, mas foi impedida. A entidade aponta risco de parcialidade e pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal para elaborar laudos paralelos sobre os corpos. O requerimento será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator provisório da “ADPF das Favelas”, que define regras para operações policiais no estado.

O secretário de Segurança do Rio afirmou que a Defensoria não fez um pedido formal para acompanhar as perícias. Victor Santos garantiu que o trabalho está sendo feito com transparência. Já o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, disse que todos os corpos devem ser liberados até o fim de semana.

O Ministério da Justiça confirmou que vai enviar ao Rio 20 peritos para auxiliar nas análises. Segundo Ricardo Lewandowski, essa é a primeira medida após a criação do escritório emergencial de enfrentamento ao crime organizado.

Três dias depois da operação nos complexos do Alemão e da Penha, escolas municipais da região seguem fechadas e só devem reabrir na segunda-feira. Algumas áreas também continuam sem luz, já que transformadores atingidos por tiros ainda não foram substituídos por questão de segurança.

O IML Afrânio Peixoto segue dedicado exclusivamente à perícia dos mortos na megaoperação. No local, ainda há intensa movimentação de familiares que fazem o reconhecimento à medida que são chamados.