Fifa demite Jérôme Valcke após escândalo da Copa no Brasil
O comitê de emergência da Fifa decidiu nesta quarta-feira demitir o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, acusado de receber suborno em contratos ligados à Copa do Mundo. Ele era considerado o 'número 2' da entidade na gestão de Joseph Blatter como presidente.
O dirigente está suspenso provisoriamente pelo comitê de ética da Fifa de todas as atividades relacionadas ao futebol desde 7 de outubro, quando foi acusado de participar de um escândalo envolvendo a venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2014. Na época, Valcke negou que tivesse participado de repasse ilegal de bilhetes e classificou a acusação como "fabricada e revoltante".
Inicialmente sua punição era válida até o início de janeiro, mas no começo de 2016 foi prorrogada por mais 45 dias. Também em janeiro, o comitê de ética da Fifa encerrou as investigações sobre o caso e pediu que Valcke fosse banido do futebol por nove anos por entender que o dirigente violou sete artigos do código disciplinar da entidade.
Entre eles, estão questões envolvendo conflitos de interesse (artigo 19) e acusações de receptação de presentes (artigo 20). O francês ainda seria punido com uma multa de 100 mil francos suíços.
O caso agora será decidido pelo comitê julgador da entidade, comandado por Hans-Joachim Eckert, que recebeu a denúncia e decidirá o futuro do dirigente.
Valcke, de 55 anos, foi jornalista na França e entrou na Fifa em 2003, quando assumiu o cargo de diretor de marketing e TV, sendo afastado devido a irregularidades nas negociações de patrocínio com as empresas de cartão de crédito MasterCard e Visa, apontadas pela Justiça americana.
Em 2007, porém, foi chamado por Blatter para assumir o cargo de secretário-geral da Fifa, substituindo Urs Linsi, e se manteve no cargo até ser suspenso em outubro do ano passado.
Valcke teve participação direta na elaboração da Copa do Mundo do Brasil, em 2014. Braço direito de Blatter, era responsável por avaliar o andamento das obras de estádios e infraestrutura do país para o Mundial. Irritado com os seguidos atrasos nas sedes da Copa, o dirigente chegou a dizer que o Brasil merecia levar um "chute no traseiro".
"As coisas simplesmente não estão funcionando no Brasil". "Temos de dar um empurrão, um chute no traseiro e entregar a Copa e é isso que faremos", dissera Valcke, meses antes do Mundial.
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