Tempos de violência: interior de AL vive surto de roubos, furtos e mortes
A tranquilidade da vida no interior de Alagoas não passa de simples memória para os moradores. Afligida pela crescente violência, a população vive reclusa e vivencia um medo diário. Roubos, homicídios, tráfico de drogas, são uma rotina diariamente noticiada na imprensa. O Portal 7 Segundos fez um levantamento dos crimes registrados pela Polícia Militar, somente na circunscrição do 3º Batalhão de Policiamento Milirar, nos dez primeiros dias de julho. O resultado, apesar de esperado, choca.
No período, foram registrados 16 roubos ou furtos a estabelecimentos comerciais, a maior parte deles, em Arapiraca; 15 veículos foram roubados ou furtados. As residências também estão no alvo dos meliantes. Ao todo, foram onze furtos ou roubos a casas. Também ocorreram quatro assassinatos no período.
Os criminosos são ousados e já não temem agir durante o dia. Somente no dia 1º de julho, três empresas foram assaltadas, nos bairros Brasília, Centro e Jardim Esperança, em Arapiraca, entre as 8h50 e 12h40. Neste intervalo, uma residência foi furtada, às 10h45. De 7 a 10 de julho, mais seis empresas foram lesadas.
Para compreender o fenômeno da explosão da violência em Alagoas, a reportagem entrevistou o sociólogo Edson Bezerra. Segundo o estudioso, a violência social não é uma questão de polícia, que deveria ser o último recurso para combatê-la, mas é resultado da exclusão social vivenciada por grupos específicos. “O ser humano é um ser de desejo. Ele quer mais e é por isso que realiza os roubos”, disse.

Imagem: Ernani Viana/Arquivo
Ele citou as pessoas que vivem nas periferias da cidade, sem acesso à mobilidade urbana, nem aos diversos itens de consumo fabricados na atualidade. Diante disso, para que possam obter, tais indivíduos estariam roubando. “Com uma moto, uma dupla dá uma volta em uma área, vê que a polícia não está por perto e assalta. Ele é recompensado com o fruto do roubo e volta a roubar. E pode até financiar outras duplas”, explica.
Uma das preocupações do estudioso é justamente o fato de os bandidos acabarem influenciando outros a entrarem na criminalidade. “O traficante (por exemplo) é herói no bairro. Quem é o traficante no bairro? O cara que tem poder. O cara que usa roupa de grife. Então, esse cara tem um poder simbólico. A criança quer ser como ele quando crescer”, afirma o estudioso.
Edson Bezerra afirma que, para encerrar esse ciclo, seria necessário que houvesse investimento em ações e políticas públicas voltadas para a população mais carentes e marginalizadas. “As políticas públicas que chegam lá são verniz. Na prática, não funcionam”, avalia.
Ainda segundo Bezerra, tais programas sociais envolveriam não apenas educação, mas também, lazer, saúde, esportes, entre outras iniciativas. “Os gestores públicos têm baixo nível de compreensão da realidade. Tem que entender como a sociedade funciona para conseguir levar soluções”, afirma.
O trauma de ser mais uma vítima
Há poucos meses do casamento, marcado para outubro deste ano, o casal André Magalhães e Érika Ferreira receberam um presente indesejado. Eles tiveram a casa na qual irão morar, no bairro Zélia Barbosa, em Arapiraca, invadida e furtada, em junho. Uma das janelas foi quebrada, um notebook e um violão, além de dinheiro para pagamentos que estava guardado em uma gaveta, foram levados.
O vendedor André Magalhães, de 25 anos, explica que já estava morando na casa para evitar que alguém entrasse. A estratégia, no entanto, não deu certo. “Eles aproveitaram que tem uma construção do lado de casa e entraram por lá. ‘Quebraram um vidro da janela e abriram os ferrolhos. Entraram pelo quarto”, relembra André.
Não tinha ninguém em casa no momento da ação criminosa, mas o casal levou um susto quando voltou para casa e percebeu que alguém havia entrado na residência. “Fiquei muito puto. Nem tanto pelo que foi roubado, mas pelo valor sentimental do violão porque era um violão que eu tinha há muito tempo e viajou o Brasil comigo nos tempos das minhas andanças”, explica.
A polícia foi acionada, fez rondas na região, mas nenhum suspeito foi localizado ou, ao menos, identificado. Para reforça a segurança privada, foram colocados grades nas janelas, cadeados e mais ferrolhos. “Estou querendo doar meu cachorrinho pra colocar um cachorrão”, diz.
Sobre a segurança pública, ele afirma que se sente em um estado de “esquecimento e vulnerabilidade” já que persevera a sensação de que pode acontecer de novo. “Todos os dias quando chego, coloco a chave na porta imaginando se não aconteceu de novo”, desabafa André.
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