Mulheres querem lei para descerem do ônibus fora do ponto depois das 22h
Com o objetivo de tentar minimizar os riscos de violência, o "Movimento Vamos Juntas?" criou uma petição online para pressionar o legislativo federal a aprovar uma lei que permita que as mulheres possam descer fora do ponto de ônibus após às 22h.
A orientação já existe no Distrito Federal desde 2014 e em outros municípios do Brasil, como Mogi das Cruzes, Guarujá e Itanhaém, no estado de São Paulo, Cascavel e Umuarama, no Paraná, e Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. A idealizadora do projeto, Babi Souza, espera que com a petição a lei se torne federal.
Na cidade de São Paulo, já está em trâmite na Câmara Municipal um projeto de lei semelhante. Apresentada pelo vereador Toninho Vespoli (Psol), a proposta prevê o direito exclusivo às mulheres para que desçam fora do ponto de ônibus após as 22h, horário considerado no texto como "vulnerável a violências".
O projeto prevê que os motoristas permitam o desembarque de mulheres após as 22h em qualquer local onde seja permitido estacionar, desde que esteja no trajeto regular da linha do ônibus.
Para o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss), é apenas uma questão de "manda quem pode, obedece quem tem juízo".
Quem regula o sistema de transporte coletivo da cidade de São Paulo é a São Paulo Transporte S/A – SPTrans. Se a entidade determinar que os ônibus devem parar fora do ponto por força de lei, as empresas acatarão.
O sistema é operado por, aproximadamente, 14 mil veículos, de vários tipos e tamanhos, sendo quase 8 mil ônibus pertencentes às 14 empresas concessionárias – associadas ao SPUrbanuss – e outros 6 mil de propriedade das 12 empresas permissionárias (antigas cooperativas). Essa frota opera em mais de 1,4 mil linhas, realiza cerca de 10 milhões de viagens e percorre quase 3 milhões de quilômetros, todos os dias.
De acordo com o SPUrbanuss, a localização dos mais de 7 mil pontos de parada existentes na cidade é determinada pela SPTrans. O embarque e o desembarque dos passageiros deve ocorrer nesses locais, sob pena de aplicação de multas às empresas operadoras.
Em nota, Regina Helena Teixeira, porta-voz do sindicado, esclarece que não haverá nenhum problema em cumprir a lei, caso venha a ser sancionada. Os motoristas, segundo ela, serão orientados para cumprir a nova legislação.
— Se a permissão para mulheres desembarcarem fora dos pontos, após 22 horas, for transformada em lei (aprovada pelo Legislativo e sancionada pelo Executivo municipal) e essa norma for regulamentada pela SPTrans, caberá às empresas cumprirem a determinação.
Regina ressalva, no entanto, que esta ação isoladamente não resolve o problema.
— A mulher vai poder descer mais próximo de casa, mas não adianta nada se ela estiver em uma via mal iluminada, isolada. Trabalho com transporte há 40 anos, e há regiões na periferia que não oferecem segurança. O motorista não vai poder parar na porta, não se pode mudar o itinerário. Só isso não vai inibir a violência.
Para Babi Souza, idealizadora do "Movimento Vamos Juntas?", a medida não exclui a necessidade de um maior policiamento e educação, motores da violência, mas pode auxiliar.
— Quanto menor o caminho a percorrer sozinha à noite, menos risco e menos insegurança.
Últimas notícias
Pesquisa Quaest aponta desgaste de Lula e cenário indefinido para 2026
Caio Bebeto alerta para risco de desabamento e insegurança em imóvel abandonado em Ipioca
Pela quarta vez, Deputado Fabio Costa assume vaga titular na Comissão de Segurança da Câmara
Novo tomógrafo do Hospital de Emergência do Agreste agiliza diagnóstico de traumas e AVC
Atalaia transforma a Busca Ativa Escolar em protocolo de proteção e cuidado com crianças e adolescentes
PF apreende 152 frascos de tizerpartida proibida pela Anvisa e prende suspeito por contrabando
Vídeos e noticias mais lidas
Defesa de Vitinho repudia oferta de recompensa e afirma que jovem corre risco de vida
Luciano Barbosa irá assinar ordem de serviço para o início das obras na Avenida Pio XII
Prefeito Luciano garante pavimentação de mais dois bairros de Arapiraca
Vigia que ‘terceirizou’ próprio posto terá de ressarcir aos cofres públicos R$ 104 mil
