Programa do Leite pode deixar de atender 5 mil famílias de baixa renda no município
Em entrevista ao Portal 7 Segundos, na tarde desta quarta-feira (6), o secretário de Agricultura de Arapiraca, Rui Medeiros, afirmou que se o Programa do Leite acabar, como pretende o governo federal, Arapiraca vai deixar de beneficiar cinco mil famílias de baixa renda, cadastradas no programa.
Rui Medeiros disse que essa será mais uma preocupação que atingirá não somente às famílias de baixa renda que precisam do leite para suplementar a fonte de alimentação para todos os membros da família, como também vai prejudicar a vida do pequeno pecurarista da Região da Bacia Leiteira no estado, que se concentra no Sertão de Alagoas, e é beneficiado com o programa.
"Este programa é viabilizado pelo governo federal ao governo estadual que repassa o leite para os municípios distribuírem as famílias de baixa renda. Aqui em Arapiraca nós temos cinco mil cadastradas e em todo o estado são 80 mil famílias", afirmou Rui Medeiros.
O secretário municipal de Agricultura disse, ainda, que em Arapiraca são 52 pontos de distribuição do leite e caso o programa seja, de fato, interrompido pelo governo federal o impacto será muito grande.
"Esperamos que o governo estadual negocie de todas as formas junto à bancada de deputados federais de Alagoas para que este programa não acabe, senão essas milhares de famílias vão ficar sem leite, alimento importante no processo nutricional de crianças e adultos que não têm recursos para substituí-lo", enfatizou Rui Medeiros.
Negociações

O governo federal ameaça fazer interdição total do Programa do Leite no estado de Alagoas e 80 mil famílias podem ficar sem o benefício.
A Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) está à frente das negociações para evitar que o programa seja interrompido. Na tarde desta quarta-feira (6), os membros da CPLA participaram de mais uma reunião com a bancada federal de Alagoas a fim de evitar cortes no Programa do Leite em Alagoas, instituído no estado desde 2002.
O governo federal, por meio do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), ameaça fazer interdição total do programa.
Segundo o presidente da CPLA, Aldemar Monteiro, o projeto atende mais de 100 municípios alagoanos e beneficia 4.720 agricultores familiares, com a entrega de um litro de leite por dia para famílias de baixa renda.
“Alagoas não pode ficar sem receber os recursos necessários à manutenção do programa. Além de prejudicar as famílias, a interdição também afetaria o comércio nos municípios onde existe a captação leiteira e desaceleraria a economia local”, alertou Aldemar Monteiro.
Ele ressaltou, ainda, que o projeto também promove inclusão produtiva no campo e abastecimento nutricional. Assim como frisou o secretário de Agricultura de Arapiraca, Rui Medeiros.
Queda no repasse
Em entrevista à imprensa na manhã desta quarta-feira, o secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Vasconcelos, comentou sobre o assunto e afirmou que Alagoas não recebe recursos para manter o programa desde fevereiro e que o valor repassado pelo governo federal caiu de R$36 milhões para R$19 milhões.
O MDS ameaça fazer a interdição total do programa para conter gastos devido à crise econômica.
“É um grande programa social. A demanda que o estado recebe é três vezes maior que o que dispomos”, lamentou Álvaro Vasconcelos.
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