Casos de estupros assustam maceioenses; Litoral Norte registra 7 ocorrências em 2 meses
Crimes geralmente ocorrem quando as vítimas estão a caminho ou retornando da escola

No Litoral Norte de Alagoas, a sensação é de medo. Pais estão impedindo suas filhas de irem à escola devido aos constantes casos de estupros contra adolescentes nas áreas em que abrangem os bairros de Cruz das Almas e Ipioca, em Maceió. Em dois meses, segundo o VI Conselho Tutelar que atua na região, já foram registradas sete ocorrências de violência sexual contra meninas menores de 18 anos.
O último caso ocorreu na terça-feira (11), quando uma adolescente de 16 anos retornava da escola por volta das 17h. Segundo informações do presidente do conselho daquela região, Arnaldo Capela, em depoimento, a adolescente conta que antes de subir no ônibus e voltar para casa, observou um veículo de cor preta, com o vidro da janela entreaberto e dois homens que a olhavam.
Ela entrou no transporte coletivo, e ao chegar ao bairro Riacho Doce desceu. Neste momento, os homens encapuzados a abordaram. O indivíduo que estava no banco do carona mostrou-lhe uma arma de fogo e a obrigou a entrar no veículo, que segundo a garota, não conseguiu reconhecer o modelo, mas tinha uma frase na parte de trás, que também não conseguiu identificar.
Conforme descrição do presidente, o depoimento da menina aponta que ela foi levada para um terreno deserto nas proximidades do conjunto Saúde, no bairro de Ipioca, e neste local foi violentada. Segundo o relato, os criminosos utilizaram um material de madeira na prática criminosa. A jovem fez todos os exames e prestou depoimento. Mas até o momento, nenhum dos estupradores foi identificado e preso.
Outro caso de estupro foi registrado duas semanas antes, no dia 28 de setembro, quando duas adolescentes voltavam da escola, e no bairro da Garça Torta, também no Litoral Norte, foram obrigadas por homens armados a entrar em um veículo Ford Ka, de cor preta. De acordo com o depoimento das vítimas no Complexo de Delegacias Especializadas (SSP-AL), elas foram levadas para um matagal e depois foram abandonadas numa localidade chamada de ‘Boca do rio’, próxima ao Mirante da Sereia.
Familiares e populares, preocupados com o sumiço das jovens, realizaram um protesto na rodovia AL-101 Norte, para chamar a atenção das autoridades de segurança para viabilizar as buscas, que foram realizadas pela Segurança Pública por meio de viaturas e do helicóptero.
As vítimas foram encontradas e, logo após, fizeram um exame de conjunção carnal que comprovou a existência da violência sexual. A situação já preocupa também os conselheiros da área que acionaram a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Alagoas para marcar uma reunião, ainda sem data definida, com o objetivo de encontrar medidas que coíbam este tipo de crime.
Na última quinta-feira (13), Capela e os conselheiros da VI região buscaram ajuda junto à Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados de Alagoas (OAB/AL) para também encontrar alternativas de combate e proteção. De acordo com o presidente, o conselho também vai buscar medidas junto ao Ministério Público Estadual.
“Alguém tem que tomar providências. O estado de uma forma geral tem que garantir o acesso do cidadão de ir e vir. Estamos fazendo um documento e vamos acionar os órgãos estaduais”, afirma o presidente.
Na manhã dessa sexta-feira (14), a população voltou a se manifestar e interditou a rodovia AL-101 Norte, nos bairros da Guaxuma, Riacho Doce, e Garça Torta, em busca de uma solução para os crimes. As vias ficaram interrompidas nos dois sentidos, e o fluxo de veículos ficou intenso na região.
Notificações de estupro
De acordo com o Núcleo de Estatística da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Alagoas, foram registrados, em 2014, 159 casos, em 2015 este número subiu para 171, e até o momento, em 2016 este número chega a 107 casos.
A maior concentração dos crimes nos bairros do Benedito Bentes, Tabuleiro do Martins, Jacintinho, Cidade Universitária e Chã da Jaqueira.
Arapiraca, capital do Agreste, é a segunda cidade com maior número de ocorrências de estupros no estado: em 2014, foram 47 notificações; em 2015, 24, e de janeiro até setembro de 2016, foram 22 casos. Já Rio Largo, situado na Região Metropolitana de Maceió, ganha o posto de terceiro município com maior ocorrência do crime em Alagoas: foram 19 em 2014, 17 em 2015 e 11 em 2016.
No total, Alagoas, em 2014 registrou 627; em 2015 foram 593 e até setembro deste ano, 359 notificações. Ainda de acordo com a Secretaria, as maiores vítimas são crianças de até 13 anos de idade do sexo feminino. Sendo no estado, 579 casos de 2014 até setembro de 2016 para elas e 157 para eles.
Em seguida, as maiores ocorrências estão entre adolescentes de 14 a 17 anos, com 282 casos registrados entre 2014 e janeiro de 2016 para meninas e 23 para os meninos. Mas os números podem estar longe da realidade, visto que as vítimas se sentem intimidadas para denunciar.
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