Leilões e processos trabalhistas do Hospital Santa Maria não avançam
O Hospital Santa Maria, que funcionava em Arapiraca na Rua Possidônio Nunes, foi desativado há mais de dez anos. Até hoje os prédios estão em ruínas se deteriorando com o tempo. Mesmo assim, o imóvel está avaliado em R$ 7 milhões.
Da época da desativação do hospital até hoje, as dívidas trabalhistas também estão emperradas. Os ex-funcionários não receberam nenhum centavo de idenização até agora.
À frente das negociações, o advogado João Timóteo afirmou ao Portal 7 Segundos que os próximo leilões estão previstos para os dias 9 e 30 de novembro deste ano. E que de 2012 a este ano já foram realizados mais de dez leilões e até hoje não apareceu nenhum licitante ou arrematante para comprar o prédio do Hospital Santa Maria.
"Além de publicar o leilão no Diário da Justiça de Alagoas eu envio correspondência para possíveis compradores, mas não há interesse na compra do imóvel avaliado inicialmente em R$ 7 milhões", declarou João Timóteo.
O advogado disse ainda que já teve leilão que ele enviou mais de cem correspondências e não obteve nenhuma resposta.
"O imóvel está deteriorando a cada ano, mas mesmo assim o terreno é valioso porque está situado em um local nobre da região central de Arapiraca, com 3.940 metros quadrados que toma conta de um quarteirão inteiro", explicou João Timóteo.
O prédio que fica na Rua Possidônio Nunes e vai até a Rua Olavo Bilac, no bairro Capiatã.
Sem a negociação para vender o imóvel, o advogado ressaltou ainda que os acordos trabalhistas também ficam sem avançar.
"Uma situação depende da outra porque sem o dinheiro necessário para quitar as dívidas trabalhistas, o processo fica completamente parado", reconheceu João Timóteo.
Saúde pública
O Portal 7 Segundos conseguiu falar com a enfermeira Nelva Rúbia Barbosa de Almeida dos Santos, de 48 anos e 24 anos de enfermagem, que trabalhou no Santa Maria no período de 1993 a 1998. A situação dela está fora das dívidas trabalhistas. Ela conseguiu uma declaração do salário que recebia e de empregador. Com isso, Nelva Rúbia conseguiu dar entrada na aposentadoria.
A enfermeira relatou ao 7 Segundos que lamenta toda a situação e de que nem todos os funcionários da época tiveram o mesmo desfecho que o dela. Mas, o que mais a deixa com perplexidade não é apenas o fato das dívidas trabalhistas. É o questão de a população de Arapiraca não poder usufruir da assistência médica que o hospital disponibilizava às pessoas.
De acordo com a enfermeira, que atualmente trabalha no Hospital Regional, no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e na Universidade Federal de Alagoas como professora, o Hospital Santa Maria fazia parte de um complexo hospitalar composto também pelo ITA - Instituto Pedro Albuquerque, o Santa Maria Hospital e o Santa Maria Maternidade.
"É uma situação lamentável que este processo ainda esteja se arrastando sem resolver a situação dos ex-funcionários, além de deixara de atender as pessoas que tinham uma assistência exemplar na saúde", lamentou Nelva Rúbia.
A enfermeira afirmou que, na época, a maternidade realizava 700 partos por mês, além dos serviços de oncologia e urologia. O Santa Maria chegou a ser o hospital Amigo da Criança.
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