Vereador acusado de assassinato é julgado nesta terça
O julgamento do vereador da Palestina, Luciano Lucena de Farias, asusado de assassinar Manoel Messias Simões de Couto, ocorre neste momento no 2º Tribunal do Júri, em Maceió. Luciano Lucena de Faria, conhecido como “Bodão”, confessou o crime durante depoimento. Ele teve a prisão preventiva decretada em outubro. Mesmo foragido, o réu foi reeleito pela população de Palestina no processo eleitoral de 2016.
“Estava no bar com mais dois amigos e outras pessoas jogando baralho. Manoel só observava o jogo. Teve um momento em que percebi alguém roubando e decidi parar o jogo. Nesse instante, ele gritou que o ladrão no baralho seria eu. Discutimos e perdi o controle dando um tapa na cara dele”, narrou o vereador.
Ainda segundo Luciano Lucena, depois da briga, a vítima o ameaçou de morte. “Perguntei se era verdade que iria me matar e ele respondeu que sim, já retirando a mão do bolso. Quando dei conta já estava atirando nele. Agi para evitar minha morte”, concluiu.
Para o promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, o vereador não teria agido em legitima defesa ao efetuar os disparos contra a vítima. “O crime aconteceu por um motivo torpe, com impossibilidade de defesa da vítima. O réu foi extremamente covarde, já que Manoel não estava armado e foi surpreendido por quatro tiros. O Ministério Público acredita piamente na condenação de Luciano por homicídio qualificado e pede aos jurados uma análise profunda nas provas apresentadas”.
De acordo com o advogado Luiz Augusto, os jurados devem analisar as provas e dar ao réu a oportunidade de justiça. “Manoel Messias era conhecido na região por ser usuário de drogas e gostar de confusão. Após o estranhamento com o réu, a vítima passou a ameaçá-lo de morte e isso durou onze meses. O homicídio de fato aconteceu, mas o réu agiu apenas por legitima defesa”, afirmou.
O julgamento está sendo presidido pelo juiz John Silas da Silva, titular da 8ª Vara Criminal. A previsão é que a sessão termine por volta das 21h desta terça-feira (8).
Acusação
O parlamentar é acusado de assassinar Manoel Messias Simões de Couto, no dia 21 de junho de 2009, no povoado Lagoa de Pedra, localizado no município sertanejo. Nove meses antes, a vítima chamou o réu de “ladrão” por conta de desentendimento durante jogatina. Luciano reagiu com um tapa no rosto de Manoel, que prometeu vingança.
Sem jamais concretizar a ameaça, a vítima reencontrou o algoz no Bar do Pinguim, quando comemorava o próprio aniversário. Ao se deparar com Manoel, o parlamentar foi tirar satisfação com ele e o chamou para conversar fora do estabelecimento, quando desferiu três tiros na vítima, matando-a.
A pedido da Promotoria de Justiça de Pão de Açúcar, que tem o Município de Palestina como termo, o Poder Judiciário do Estado de Alagoas transferiu para Maceió o julgamento do recurso do Ministério Público, após o réu ser absolvido em primeira instância. O motivo alegado pelo MPE/AL para a transferência foi a influência política do acusado na região, inclusive por ter procurado jurados para absolvê-lo, violando a imparcialidade.
Júri anterior
Está é a quarta vez que a Justiça convoca o acusado para julgamento. Em 2011, um júri foi realizado na Comarca de Pão de Açúcar, local onde ocorreu o crime. Na ocasião, o Conselho de Sentença absolveu Luciano Lucena.
O MP/AL ingressou com apelação no TJ/AL, pedindo anulação da sentença, por entender que ela foi contrária às provas dos autos. Requereu ainda o desaforamento do caso para Maceió.
Atualizada às 15h37
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