Explosões matam fiéis em igrejas no Egito a poucos dias de visita do papa
Pelo menos 44 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas neste domingo (9), no Egito, após explosões atingirem duas igrejas coptas (cristãs) no norte do país. Um grupo que pertence ao Estado Islâmico reivindicou a autoria dos dois ataques, informou a agência de notícias Amaq.
Os cristãos são minoria no Egito (cerca de 10%) e pertencem à Igreja Ortodoxa Copta.
Os ataques acontecem no dia em que os cristãos celebram o Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa, e no mesmo mês em que está prevista uma visita do papa Francisco ao Egito. A viagem está marcada para os próximos dias 28 e 29 de abril e é a primeira do pontífice ao Oriente Médio.
A primeira explosão ocorreu dentro da igreja copta de São Jorge, na cidade de Tanta, cerca de 100 quilômetros ao norte da capital Cairo. O ataque matou pelo menos 27 pessoas e feriu 78, segundo o Ministério da Saúde egípcio.

A segunda explosão aconteceu algumas horas depois da primeira, na parte de fora da igreja copta de São Marcos, em Alexandria, a cerca de 200 quilômetros do Cairo. Um homem-bomba matou pelo menos 17 pessoas, incluindo três policiais, e feriu 48, acrescentou o ministério.
"Havia sangue em todo o chão e partes de corpos espalhadas", disse uma cristã que estava dentro da igreja de Tanta na hora do ataque. "Houve uma enorme explosão no corredor. Fogo e fumaça encheram a sala, e os ferimentos foram extremamente graves", disse outra mulher.

Papa condena terrorismo
No Vaticano, o papa Francisco, chefe da Igreja Católica, condenou os ataques.
"Ao meu querido irmão, (chefe da Igreja Copta Ortodoxa do Egito e patriarca de São Marcos) Tawadros 2º, à Igreja Copta e a toda a querida nação egípcia, expresso meu profundo pesar", disse Francisco.
O papa copta Tawadros, que assistiu à missa na igreja de São Marcos, ainda estava no prédio no momento da explosão, mas não foi atingido, disse o Ministério do Interior.
Após reunião de emergência, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, anunciou o reforço da segurança em todo o país, com o envio de tropas militares para "ajudar imediatamente a polícia a assegurar instalações vitais em todas as províncias da República".

Perseguição aos cristãos
As explosões mostram que o braço do Estado Islâmico no Egito intensifica ameaças e perseguições contra cristãos.
Em fevereiro, famílias cristãs e estudantes fugiram da província do Sinai depois de uma série de assassinatos direcionados.
No dia 11 de dezembro do ano passado, 28 fiéis da minoria cristã copta morreram em um atentado cometido por um suicida contra uma igreja situada próxima da catedral do Cairo, no bairro de Abbassiya.
Repercussão
As ações de extrema violência no Egito mereceram manifestações de solidariedade pelo mundo.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nota em que expressa "profunda consternação" e "reitera sua condenação a todo e qualquer ato de terrorismo, independente de sua motivação".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, por meio de sua conta no Twitter, que "os Estados Unidos fortemente condenam" os ataques e que confiam na capacidade do presidente egípcio de lidar com a situação.
Em comunicado oficial, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que "o crime cometido em plena festividade religiosa surpreende por sua ferocidade e cinismo" e que a comunidade internacional, junta, poderá "fazer frente às forças do terror e arrancar sua ideologia de ódio pela raiz".
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