Arapiraca realiza ‘Primeira Semana da Consciência Indígena de AL’
O que é ser índio hoje? É se vestir por fora ou por dentro com as nossas tradições?
Todo ano é a mesma coisa: comemora-se o Dia do Índio, em 19 de abril, sempre como se a data trouxesse consigo uma carga erroneamente folclórica.
Mas ele é real. Somos todos reais. O momento é de reivindicar, de apropriação de uma identidade coletiva, de ressurgência.
Dessa forma, para responder esses e outros assuntos, entre os dias 17 e 20 desse mês, haverá a 1ª Semana da Consciência Indígena de Alagoas em Arapiraca.
Com entrada franca, o evento é uma parceria entre a Prefeitura de Arapiraca, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Juventude (SMCLJ), e a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), esta última cumprindo com seu exímio papel de levar o conhecimento para fora dos muros acadêmicos.
A semana acontecerá na Casa da Cultura, situada na Praça Luiz Pereira Lima, no bairro do Centro, e contará com mostras de artes plásticas e de artefatos indígenas, exposição fotográfica, oficinas, exibição de documentários e mesas-redondas. Ela já começa na segunda-feira (17) às 19h.
Terra neutra, terra fértil
Para o secretário Municipal de Cultura, Lazer e Juventude, Silvestre Rizzatto, a abertura para esta discussão é muito pertinente.
“Arapiraca, em tese, é uma terra neutra, pois ainda não foram encontrados registros de povos indígenas por aqui. Então, por que a necessidade de se falar sobre isso, se não temos histórico? Porque somos parte do todo e mediar um debate como esse só enriquece o nosso trato com o fazer cultural”, pontua.
Segundo o professor doutor de História da Uneal, Aldemir Barros, um dos grandes entusiastas e organizador da semana, haverá um manifesto sobre o evento ao final dele. “Afinal, teremos aqui a presença de várias autoridades indígenas e esse é o momento ideal para fazê-lo”.
Aldemir será também um dos oficineiros dentro da programação montada. Ele fez seu mestrado e doutorado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), sobre o processo de aldeamento indígena no Nordeste e a utilização de mão de obra indígena na construção civil em Maceió, respectivamente.
Veja aqui a programação completa desta 1ª edição da Semana da Consciência Indígena de Alagoas em Arapiraca:
Dia 17 (segunda-feira)
19h // Abertura com performance de dança Toré // Instalação “A Presença Indígena em Alagoas // Exibição dos documentários “Visadas do Pajé Miguel Celestino” e “José do Chalé”, de Siloé Amorim e Celso Brandão // Exposição da artista plástica Égide Amorim // Mesa-redonda “Povos do Sertão: Resistência”, com o professor doutor Siloé Amorim (Ufal), professor doutorando Adelson Peixoto (Universidade Católica de Pernambuco) // Explanação de alguns representantes de comunidades indígenas locais //
Dia 18 (terça-feira)
9h // Instalação “A Presença Indígena em Alagoas // Exibição dos documentários “Visadas do Pajé Miguel Celestino” e “José do Chalé”, de Siloé Amorim e Celso Brandão // Exposição da artista plástica Égide Amorim //
14h // Oficina “O Índio no Livro Didático”, com o professor doutor Gilberto Ferreira (SEE) //
Dia 19 (quarta-feira)
9h // Instalação “A Presença Indígena em Alagoas // Exibição dos documentários “Visadas do Pajé Miguel Celestino” e “José do Chalé”, de Siloé Amorim e Celso Brandão // Exposição da artista plástica Égide Amorim //
14h // Oficina “Fontes para a História Indígena”, com o professor doutor Aldemir Barros (Uneal)
Dia 20 (quinta-feira)
9h // Instalação “A Presença Indígena em Alagoas // Exibição dos documentários “Visadas do Pajé Miguel Celestino” e “José do Chalé”, de Siloé Amorim e Celso Brandão // Exposição da artista plástica Égide Amorim //
14h // O Que É Ser Índio na Atualidade: Reflexões sobre Identidade Étnica, com o graduando em História pela Uneal, Cássio Júnior Xukuru-Kariri //
19h // Encerramento com performance poética do escritor, declamador, cantador, professor de Filosofia e pesquisador do povo Xukuru-Kariri, Cosme Rogério Ferreira // Mesa-redonda “Rompendo o Preconceito: a Contribuição do Trabalho Indígena à Economia Local”, com o professor doutor Aldemir Barros (Uneal) e o graduando em História pela Uneal, Cássio Júnior Xukuru-Kariri //
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