Mulheres rurais movimentam agronegócio com derivados da mandioca
Empreendedoras. Essa é a palavra que define as mulheres da Associação de Mulheres Produtoras de Broas e Outros Produtos Alimentícios da Agricultura Familiar (Asprobroas), no povoado Taboquinhas, em Arapiraca, que criaram uma agroindústria especializada na produção de doces derivados da mandioca e conquistaram mercado em todo o estado de Alagoas.
O trabalho começou em 2005 com a chegada da assistência técnica da Emater no povoado. Na época, as mulheres apenas conheciam a farinha como derivado da mandioca e, até então, trabalhavam cuidando da casa e auxiliando os maridos na dia a dia agrícola.
Como se tratava de uma comunidade com agricultores familiares com produção potencial de mandioca e macaxeira, a Emater buscou incentivar o uso alternativo dos tubérculos para estimular a geração de renda e a qualidade de vida.
Para isso, apostou no empreendedorismo feminino e facilitou o acesso das mulheres em rotinas de capacitação, que incluíram conhecimentos em produção de doces e em rotinas de gestão para garantir o sucesso do negócio desde a etapa de organização do grupo até a comercialização, além do auxílio no processo de fundação da Asprobroas, em 2010.
Com o acesso às capacitações, as mulheres passaram a produzir broas, bolos, pães, salgados e até suco usando a mandioca, dando novas perspectivas à agricultura familiar de Taboquinhas.
Comercialização
Hoje, as doceiras chegam a processar duas toneladas de mandioca por mês para a produção dos doces, com matéria-prima cultivada no povoado. De acordo com a presidente da Associação, Diana Laura, a rotina de trabalho tem sido intensa para atender às demandas do comércio, do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) - políticas públicas acessadas com o acompanhamento da Emater.
Para aperfeiçoar a rotina de produção, a Asprobroas também recebeu o apoio do município, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Petrobras para construir e equipar a cozinha industrial comunitária.
Independência
Com clientes no Estado inteiro, o agronegócio fez com que as mulheres de Taboquinhas se tornassem financeiramente independentes, passando a ocupar posição estratégica na geração de renda das famílias.
“Antes a gente só cuidava da casa. Tínhamos o período da roça durante seis meses, mas depois a gente ficava sem ter o que fazer. Quando conhecemos verdadeiramente o que poderia derivar da mandioca e colocamos o projeto em prática, percebemos que nós mulheres também podíamos ajudar com a renda em casa e contribuir com a qualidade de vida da nossa família”, frisou a presidente da Asprobroas.
Reconhecimento nacional
Em 2013, a Associação recebeu o Prêmio Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável, que selecionou dez iniciativas ao redor do país como forma de dar visibilidade ao trabalho das mulheres do campo e da floresta, por meio de suas organizações produtivas, no fortalecimento da sustentabilidade econômica, social e ambiental. O prêmio foi entregue pela Secretaria de Políticas para as Mulheres.
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