Proibição ao uso de véu leva a protesto contra discriminação
Professora da USP alerta para islamofobia
A partir de hoje (1º), entra em vigor na Dinamarca a proibição para as mulheres muçulmanas deixarem de usar o nicabe e a burca, vestimentas islâmicas que cobrem o rosto. Determinação que poderá se estender para o hijab (o véu que cobre apenas o cabelo e o pescoço). A legislação dinamarquesa segue exemplo do que ocorre na França, Bélgica, Bulgária, Letônia, Áustria e regiões da Suíça, Itália e Alemanha.
A multa pela desobediência pode chegar a mil euros. Porém, as muçulmanas da Dinamarca resolveram enfrentar a lei e protestar. Convocaram para esta quarta-feira uma manifestação pacífica em favor da liberdade religiosa e do direito de usar os trajes do Islã.
Para Francirosy Campos Barbosa, antropóloga e especialista em estudos do Islã, professora do departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, há um processo de alijamento dos muçulmanos, acentuando a islamofobia e o banimento dos seguidores do Islã.
“Eu me pergunto quantas são as mulheres muçulmanas na Dinamarca? Ainda não encontrei esses dados”, reagiu. “É uma lei totalmente arbitrária e que atinge diretamente as mulheres, pois muitas usam o véu desde os 10, 12 anos. Adultas, sem o uso do nicabe [cobertura da cabeça aos pés, incluindo o rosto], não se sentem à vontade.”
A lei aprovada pelo Parlamento da Dinamarca pretende garantir que mulheres adultas ou jovens não sejam obrigadas a cobrir os rostos. Os defensores da proposta afirmam que a proibição assegura a integração dos imigrantes que pleiteiam asilo à sociedade dinamarquesa.
Discriminação
Estudiosa do tema, a professora Francirosy Barbosa alerta que uma legislação que veta o direito à cultura religiosa para encobrir preconceitos tem um objetivo: o da exclusão. “O sentido é deixar os muçulmanos cada vez mais coagidos para provar que eles não são ‘daquele lugar’. É um disparate.”
O protesto organizado pelo grupo Kvinder I Dialog (Mulheres em Diálogo), na Dinamarca, pode servir como advertência sobre o respeito e a preservação dos direitos das mulheres como um todo, segundo a especialista.
“Temos muito o que avançar quando se trata de direitos das mulheres, mas isso não é a particularidade de uma cultura ou religião, isto tem que ser uma mudança mundial, mas que deve partir, sobretudo, das mulheres”, disse. “Nossa luta é para que cada uma encontre sua maneira de ser respeitada dentro do seu universo, dentro da sua religião, respeitando a sua identidade, a noção de pessoa e não necessariamente tem que ser moldada pelas ou pelos ocidentais.”
Últimas notícias
Durante entrega da duplicação da AL-110 Luciano Barbosa engrandece parceria com Paulo Dantas e Renan Filho
Renan Filho anuncia construção de dois viadutos para desafogar trânsito em Arapiraca
Durante agenda em Arapiraca, governador anuncia reforço histórico na Polícia Civil
Durante solenidade, Renan Filho anuncia início dos testes do VLT de Arapiraca
Renan Filho anuncia construção do Hospital da Mulher em Arapiraca
[Vídeo] EUA: brinquedo para e passageiros ficam presos a 80 m de altura
Vídeos e noticias mais lidas
Profissionais de saúde são contratados para substituir doentes por covid-19
Prefeitura anuncia inauguração da avenida Senador Benedito de Lira com Raí Saia Rodada
Lojas Mix Mateus em Alagoas passarão a operar com a bandeira Novo Atacarejo
Corpo é encontrado em estado de decomposição em Teotônio Vilela
