Policial militar do 3º BPM é encontrada morta dentro de casa
Caso acende alerta para casos de suicídio entre policiais
No fim da tarde deste domingo (12), a Polícia Militar de Alagoas confirmou uma tragédia entre os membros de sua corporação. A policial militar Laysa Avelino, integrante do 3º BPM de Arapiraca, foi encontrada morta em sua casa.
O caso ocorreu no bairro Primavera. Vizinhos escutaram disparos, e o óbito foi constatado com a chegada do Samu no local. A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) afirmou que a policial foi vítima de suicídio.
Laysa era integrante da banda de música do Batalhão de Arapiraca, casada com outro PM, e sofria de depressão. Segundo informações policiais, seu uso de arma de fogo já havia sido tirado por prevenção.
A família informa que o velório da policial acontece em sua congregação da Assembleia de Deus, na Rua Santa Rita, no bairro Brasília, e que seu culto fúnebre ocorre às 15h desta segunda (13).
O 3º Batalhão de Polícia Militar de Alagoas emitiu nota de pesar sobre o falecimento da soldada:
"O comando do 3° BPM vem com todo pesar trazer a triste notícia do falecimento da Sd Laysa. Ela parte deixando-nos muitas lições de amizade, profissionalismo, ética e humanidade.
Não temos palavras para expressar os nossos sentimentos. Pedimos a Deus que conforte o coração dos familiares e amigos neste momento de dor. Que a luz e o amor divino pairem sobre a alma de quem sofre esta imensurável perda, e os console e lhes dê serenidade para atravessar esta tempestade.
A Deus, pedimos também que dê a nossa companheira, o merecido repouso eterno em seu reino. Muito respeitosamente, prestamos as nossas condolências e deixamos os nossos mais sinceros pêsames."
Alerta
Laysa é a terceira PM mulher de Alagoas a tirar a própria vida, em 2018. Pesquisas apontam que a rotina estressante, o convívio com casos de violência e a perda frequente de colegas de trabalho são fatores de risco para depressão e suicídio entre policiais.
Em 2017, a Polícia Militar de Alagoas percebeu o perigo que o suicídio representa entre seus membros, realizando um seminário de prevenção: “O suicídio é responsável por 17% das mortes violentas dos policiais em Alagoas, o que nos impulsionou a buscar estratégias de combate na instituição. Aprendemos desde cedo que o militar é superior ao tempo. Eu não tenho dúvidas de que realmente somos, mas, para continuarmos sendo superior a ele, precisamos nos cuidar hoje”, declarou a chefe do CAS (Centro de Assistência Social – PM/AL), tenente-coronel Mônica Ramalho, em entrevista ao GEPeSP (Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção).
O psicólogo Edeilto Gomes, com CRP 15-4521, em entrevista ao Sindpol (Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas), analisa que na instituição existe o dogma de que o policial é um super-herói e salvador da pátria. “O profissional de segurança pública vive um conflito em resolver os problemas da sociedade e não conseguir resolver os seus. Desta forma, esses profissionais ficam vulneráveis à depressão, o que acarreta o adoecimento mental e físico, abrindo as portas para o alcoolismo e outras doenças ocasionadas por esse cenário desfavorável”.
Edeilto destaca o trabalho que deve ser feito para prevenir tragédias deste tipo: “Para evitar ou reduzir essa fatalidade na segurança pública, precisamos cobrar o acompanhamento psicossocial dos gestores para os servidores em seu dia a dia, além de ações como atividades de enfrentamento, com vítima fatal ou não”.
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