Racismo contra Meghan Markle nas redes sociais preocupa família real britânica
Comentários de ódio aumentaram desde anúncio da gravidez
A família real britânica está preocupada com o crescente racismo contra Meghan Markle, mulher do príncipe Harry e duquesa de Sussex, nas redes sociais. Os ataques levaram ao reforço da equipe responsável pela administração das suas contas para combater o aumento no número de comentários de ódio direcionados à ex-atriz desde o anúncio de sua gravidez há alguns meses, informa a rede de TV americana CNN.
De acordo com fontes da emissora, um software especial está sendo usado para filtrar palavras ofensivas quanto à etnia de Meghan, bem como emojis que remetam à violência, como armas e facas, enquanto funcionários do Palácio de Kensington apagam comentários e bloqueiam contas abusivas no Twitter e Instagram.
Enquanto isso, ainda de acordo com a CNN, o grupo ativista “Hope Not Hate” (“Esperança, não ódio”, em uma tradução livre) analisou mais de 5 mil tuítes com as hashtags depreciativas mais comuns contra Meghan. As publicações, feitas entre janeiro e meados de fevereiro, mostram que um pequeno grupo de contas está por trás de grande parte dos ataques.
Segundo o levantamento, 20 contas responderam por cerca de 70% dos tuítes, compartilhando hashtags contra Meghan, fotos e memes. O fato de uma quantidade tão pequena de usuários gerar tantos tuítes sugere que as contas foram criadas com o propósito específico de produzir conteúdo contra ela, destacou o grupo ativista à rede de TV americana.
Algumas das contas, acrescenta a emissora com base no relatório do Hope Not Hate, também compartilham conteúdos de sites de extrema direita e figuras controversas das mídias sociais. Muitas das publicações usam termos racistas para descrever Meghan, com as biografias de seus autores geralmente contendo hashtags contra ela, como #Megxit, referência ao Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, e #Charlatanduchess (“duquesa charlatã”, também em tradução livre).
De acordo com a CNN, porém, a análise não indica a existência de uma campanha coordenada da extrema direita contra Meghan. Twitter e Instagram foram contactados pela emissora, e desde então o primeiro suspendeu algumas das contas identificadas na análise.
O pequeno grupo de contas que ataca Meghan em geral retuíta notícias negativas sobre ela. Desde que o relacionamento dela com o príncipe Harry se tornou público, em 2016, há referências sobre seu “DNA rico e exótico” e reportagens afirmando que sua família “saiu do trabalho escravo em plantações de algodão para a realeza”.
Muitos dos ataques também exploram a alegada rivalidade entre Meghan e sua cunhada, Kate Middleton, esposa do príncipe William e duquesa de Cambridge, acrescenta a CNN. Segundo a rede de TV, enquanto Kate é elogiada por expor um ombro num vestido, Meghan é acusada de quebrar o protocolo real se faz o mesmo. Ou, se Meghan usa um esmalte escuro, ela é “vulgar”, enquanto Kate opta por tons mais “sutis” para agradar a rainha.
Outra preocupação é com a reação nas redes ao futuro bebê do casal Meghan e Harry, a primeira criança miscigenada em mais de mil anos de História da família real britânica. Yomi Adegoke, autora de “Slay in Your Lane: The Black Girl Bible” (“Brilhe na sua praia: A bíblia da garota negra”, também em tradução livre), disse à CNN que a especulação nas redes é grande quanto à sua aparência.
— Há muita discussão no Twitter, não só entre racistas, mas entre pessoas que são muito pró-Meghan, sobre genes recessivos e se o bebê terá um cabelo afro ou o nariz da mãe — contou. — Também há essas conversas em código sobre como será a aparência do bebê, e é realmente horrível pensar isso, mas muitas pessoas apresentam a ideia de que o quanto mais negro for o bebê, pior será o tratamento que terá.
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