Dodge pede ao STF anulação de acordo da Petrobras com força-tarefa da Lava Jato
Acordo prevê devolução de R$ 2,5 bilhões, e força-tarefa já havia pedido suspensão de parte dele. Dodge diz que procuradores do Paraná não tinham poderes para atuação no caso.
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu nesta segunda-feira (12) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação de todo o acordo firmado pela Petrobras, com participação da força-tarefa da Lava Jato, para devolução de recursos acordados com autoridades norte-americanas. O relator do caso no STF é o ministro Alexandre de Moraes.
Mais cedo, a força-tarefa já havia pedido para suspender a parte mais polêmica do acordo, a que prevê a criação de entidade para administrar uma parte dos recursos.
Dodge, no entanto, entende que os procuradores do Paraná não tinham poderes para atuar no caso e quer a anulação de todo o acordo "sem prejuízo de que a Petrobrás adote outras medidas" para cumprimento do acordo que fez com autoridades norte-americanas.
O acordo, já homologado pela Justiça, estipula a devolução de R$ 2,5 bilhões em uma conta vinculada à Justiça Federal do Paraná.
Essa quantia é 80% do valor definido entre acordo entre a Petrobras e as autoridades norte-americanas para restituir valores desviados. O acordo total de U$ 853 milhões, previa aplicação de US$ 682 milhões no Brasil, cerca de R$ 2,5 bilhões.
Metade desse valor, cerca de R$ 1,25 bilhão, seria aplicado em um fundo patrimonial que será gerido por uma fundação independente que distribuirá os rendimentos para projetos de combate à corrupção e promoção da cidadania e da integridade.
O acordo entre a petroleira e os Estados Unidos foi firmado em setembro do ano passado para o encerramento de investigaçõesdecorrentes das irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato.
Competência
Conforme a procuradora-geral, a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para homologar o acordo firmado pela petroleira com membros do MPF. Segundo Raquel Dodge, os procuradores do Paraná também não poderiam ter atuado no caso.
A procuradora afirmou ainda que o acordo evidencia "o protagonismo" de alguns integrantes do MP, "singularmente" os da força-tarefa.
"Basta verificar que aqueles membros da Força-Tarefa, assumiram compromissos administrativos e financeiros pelo Ministério Público Federal, falando pela própria instituição sem poderes para tanto, de conduzir todas as etapas do processo destinado à constituição de uma fundação de direito privado", completou.
Dodge apresentou uma "Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental", tipo de ação usada para questionar decisões consideradas inconstitucionais, que contrariem a Constituição.
Na ação de 27 páginas, Raquel Dodge afirma que a decisão da 13ª Vara Federal que validou o acordo do MPF com a Petrobras para utilização no Brasil de 80% dos recursos que seriam devolvidos para os Estados Unidos "viola preceitos fundamentais e é, portanto, inconstitucional".
Segundo a procuradora, a decisão fere a separação de poderes, a preservação das funções da Justiça, os princípios da legalidade, a independência finalística do Ministério Público e o princípio da impessoalidade. "Caracteriza grave violação de princípios constitucionais estruturantes do modelo republicano e democrático, pautado no sistema de freios e contrapesos."
Dodge afirmou que a Constituição define o papel de cada poder e que isso é "fundamento constitucional que constitui o alicerce e o equilíbrio do sistema democrático". E que uma decisão judicial não pode concordar que o MP exerça um papel que extrapole o limite de sua atuação.
"Decisão judicial, inclusive as de natureza homologatória, que atribui a um órgão do Estado brasileiro – o Ministério Público Federal – o desempenho de função e obrigações que extrapolam os limites constitucionais de sua atuação e que implica verdadeira concentração de poderes entre a atividade de investigar e atuar finalisticamente nos processos judiciais e de executar um orçamento bilionário, cuja receita provém de acordo internacional do qual não é parte nem interessado, viola princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito, notadamente o da separação de poderes, além dos demais preceitos fundamentais indicados no preâmbulo desta petição", afirma na ação.
Veja também
Últimas notícias
Prisão de Vorcaro atrapalha os holofotes de Renan Calheiros no Senado
Luciano Barbosa afasta especulação sobre vice de JHC e prega fidelidade ao MDB dos Calheiros
Daniel Vorcaro falou em ‘quebrar todos os dentes’ de jornalista, revela PF
Prefeitura mostra como será o funcionamento do Centro de Equoterapia em Girau do Ponciano
'Avodrasto' é preso acusado de estuprar neto da esposa, menina de 8 anos
Dino suspende quebra de sigilo de empresária amiga de 'Lulinha' por CPI do INSS
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
Indústria brasileira do setor alimentício terá fábrica em Rio Largo
