A Reforma Tributária: se aprovada, pode contribuir com 10% de crescimento do PIB brasileiro em dez anos
Para o presidente da Afresp, mudanças na arrecadação de tributos no Brasil possibilitaria um incremento de receita sem aumento na carga tributária
O sistema tributário do Brasil é um dos mais complexos do mundo, dificultando a vida dos contribuintes, comprometendo a arrecadação e prejudicando o ambiente de negócios. Para alavancar a economia, o país precisa de simplificação e segurança jurídica com uma reforma tributária. A afirmação é do presidente da Associação dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo (Afresp), Rodrigo Spada, que defende que a reforma tributária é mais urgente que a previdenciária.
Para Spada, priorizando a reforma da Previdência, somente um lado do problema está sendo avaliado. "Em uma crise, o estado trabalha receitas e despesas, mas o problema é o déficit. Você pode atacar pelo lado da despesa, mas pode atacar pelo lado da receita também. Ao focar na Previdência, apenas um aspecto está sendo considerado".
A Reforma Tributária tem potencial de alavancar a economia do país, simplificando as regras e deixando o ambiente de negócios mais atrativo para investidores, possibilitando assim um aumento de receita e, consequentemente, permitindo uma redução do déficit nas contas públicas. Ainda de acordo com o presidente da Afresp, se a proposta de reforma tributária (PEC 45/19), que tramita na Câmara dos Deputados, entrar em vigor até o final de 2019, em dez anos o Brasil cresceria 10% do Produto Interno Bruto (PIB) somente com essa medida.
Apesar disso, ele ressaltou alguns pontos que deveriam ser tratados com maior rigor pela proposta em andamento, como o fortalecimento da administração tributária, para que ela seja efetiva. "Nosso país não leva algumas questões tributárias a sério, as pessoas veem a sonegação como uma vantagem. No Brasil, temos parcelamentos concedidos a cada dois anos pelos governos para resolver questões de sonegadores. Em países mais sérios, isso não acontece".
Rodrigo acredita que o modelo tributário atual do país é perverso e colabora com a guerra fiscal entre os estados. "Isso gera erosão da base fiscal e distorções geográficas. Com indústrias migrando para lugares onde não teriam um ponto de eficiência ótimo. Fosse neutra a tributação, os empresários escolheriam o melhor local para suas instalações em função da logística, quanto às matérias primas, mão de obra e mercado de consumidor. Não é o que acontece. As empresas decidem se estabelecer em locais que oferecem privilégios tributários", afirma.
Spada acrescentou ainda que tais privilégios fiscais acabam gerando um sistema falido ao invés de aumentar a arrecadação. "É como doping. O atleta obtém benefícios de curto prazo, mas compromete o organismo no longo prazo. Então, na guerra fiscal, a concorrência entre diferentes estados pela oferta de várias vantagens às empresas, corrói a nossa base de arrecadação, gerando aumento no déficit público e distorções de complexidade".
Outra questão imperativa que se apresenta, também, é de ordem legal. No Brasil, o pagamento do tributo faz com que o contribuinte deixe de responder criminalmente pela sonegação. Independente da forma como tal sonegação se tenha dado. Assim, sob tal dispositivo, o da extinção da punibilidade, protegem-se inúmeros sonegadores de grande vulto, contumazes e mal intencionados. Na maioria dos países desenvolvidos o pagamento extingue o débito, mas não a punibilidade. Essa decorrerá do grau e das circunstâncias do ilícito praticado.
Para que se obtenha o necessário equilíbrio nas contas públicas, o presidente da Afresp ressalta a importância de se colocar fim às renúncias fiscais fazendo com que privilégios, se concedidos, sejam com previsão orçamentária e de maneira transparente. Também, que haja redução nas despesas evitáveis. Sobretudo, que se aprove um modelo tributário simples, que incentive a produção, promova a justiça social, permita políticas efetivas de desenvolvimento regional e confira competitividade aos produtos brasileiros.
Veja também
Últimas notícias
Polícia Civil prende padrasto que estuprou e engravidou a própria enteada
Justiça concede progressão de pena e Babal Guimarães passa para o regime semiaberto
Queda em obra mata trabalhador de 58 anos em Rio Largo; suspeita é de choque
Estudos técnicos vão investigar rachaduras em casas na zona rural de Craíbas
Deputada Gabi Gonçalves realiza edição especial do Gabi Para Baixinhos no Vila Trampolim
Polícia Civil cumpre mandado de prisão por estupro e lesão corporal em Barra de Santo Antônio
Vídeos e noticias mais lidas
Cobranças abusivas de ambulantes em praias de AL geram denúncias e revolta da população
Corpo encontrado no Bosque das Arapiracas apresentava sinais de violência
Após bebedeira, dois homens se desentendem e trocam tiros em Traipu
Luciano Barbosa irá assinar ordem de serviço para o início das obras na Avenida Pio XII
