Estão brincando com assunto sério, diz juiz que determinou lockdown no Maranhão
O chamado bloqueio total é a primeira decisão do tipo no país
A Justiça do Maranhão decretou na última quinta-feira (30) estado de lockdown, o chamado bloqueio total, em quatro municípios da região metropolitana de São Luís, pelo prazo de 10 dias, a partir do dia 5 de maio, por causa do aumento de casos e mortes pelo novo coronavírus nas regiões. Esta é a primeira decisão do tipo no país.
Os municípios de São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar entrarão nesta lista de blqueios, juntamente com a capital. A medida, que é movida pelo Ministério Público do Maranhão, foi tomada devido a capacidade hospitalar estar praticamente no limite. O estado registra 3.506 casos cofirmados e 204 mortes por COVID-19. Apenas serviços essenciais estarão operando normalmente durante o período.
O texto da ação prevê ainda que o indíviduo que estiver nas ruas será convidado a voltar para casa. Em entrevista à CNN na manhã desta sexta-feira (1º), o juiz Douglas de Melo Martins comentou a decisão.
"Os quatro municípios estão em situação limite. O próximo passo é ver pessoas esperando dentro de ambulâncias para conseguir algum tipo de atendimento", diz.
"Já há um decreto estadual de isolamento, mas metade da população não aderiu, está brincando com um assunto super sério. Tem muita gente morrendo pela falta de responsabilidade das pessoas."
Martins explicou então que entidades municipais e estaduais precisarão somar forças para fiscalizar o cumprimento da decisão. "Não tem outra opção, é a única saída. Expor a perigo a vida ou saúde de outrem é crime, desobediência também. Mas espero que ninguém seja preso”, afirma.
Questionado sobre a parcela da população que reinvidica poder voltar ao trabalho, o juiz afirmou que "o grupo de classe média alta foi o que mais reclamou"."As pessoas estão preocupadas se vão ter empregada doméstica em casa. A crise econômica está acontecendo e vai continuar, com ou sem lockdown. O que se pretende é proteger a vida das pessoas."
Martins disse ainda instituições financeiras precisam se organizar para que os beneficiários das medidas de auxílio emergencial recebam seu dinheiro em segurança. "A porta dos bancos virou um ponto de contaminação. Também tomei decisão para que essas instituições se organizem neste sentido", explica.
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