Fiocruz vai produzir 2,4 milhões de testes para diagnosticar coronavírus
A capacidade de produção de testes moleculares realizados pela fundação foi ampliada de 58 mil, em março, para 1,2 milhão em abril de 2020.
O vice-presidente de produção e inovação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Krieger, informou que a capacidade de produção de testes moleculares realizados pela fundação, para diagnosticar o novo coronavírus (Covid-19), foi ampliada de 58 mil, em março, para 1,2 milhão em abril de 2020. Já em maio, a expectativa é de que 2,4 milhões de exames desse segmento sejam realizados. A informação foi divulgada por meio do portal da Câmara Legislativa.
Contudo, o executivo apontou que ainda há alguns obstáculos para serem superados, que poderão otimizar o sistema de testagem. De acordo com Krieger, é preciso formular estratégias para realizar os testes na população, que apontem grupos prioritários. Ele também ressalta que é necessário desenvolver sistemas de coleta e logística para que as amostras cheguem às centrais de análise do teste na Fiocruz. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, há cinco unidades dessa categoria.
Já o coordenador de Vigilância em Saúde da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, complementa que outra dificuldade é caracterizada pelo processamento das amostras, tanto em laboratórios públicos como em unidades privadas. Segundo ele, o processo de passar a amostra do tubo de coleta (amostra primária) para o tubo menor (amostra secundária), que será inserido no equipamento de análise, é muito complicado, apresentando riscos de contaminação aos profissionais envolvidos.
Nesse sentido, o método exige a contratação de mão de obra qualificada, além de um espaço com condições adequadas. “Até porque parte dos trabalhadores têm adoecido e ficado afastados”, ressalta ele, em entrevista publicada no portal da Câmara.
É importante pontuar que, nesse momento, a otimização do aumento da capacidade de realização dos testes moleculares é de extrema importância. Em reunião realizada por videoconferência, em 6 de abril, especialistas foram ouvidos pela comissão externa da Câmara dos Deputados, que acompanha ações de combate à pandemia, e reafirmaram que ampliar a testagem é uma medida essencial no combate ao novo coronavírus.
Já em relação aos testes rápidos, os profissionais apresentaram ressalvas. Os métodos moleculares (ou RT-PCR), que são realizados a partir da coleta de mucosa do nariz e da garganta, possibilitam a detecção do vírus já nos primeiros dias da infecção.
No caso dos testes rápidos (ou sorológicos), o exame é feito com sangue. Esse método detecta anticorpos, que mostram se o paciente teve contato com o novo vírus. Contudo, para um resultado mais assertivo é necessário um período de cerca de dez dias após o contato. Essa situação pode possibilitar resultados falsos.
Orientação do Ministério da Saúde
Vale destacar que, em nota divulgada por meio do Portal Valor Econômico, o Ministério da Saúde (MS) orienta: “Esses testes rápidos não possuem finalidade confirmatória, porque têm limites de detecção ligados ao estado imunológico de cada pessoa. Resultados negativos não excluem a infecção pelo novo coronavírus e resultados positivos não devem ser usados como evidência de infecção”, define o órgão federal.
A realização dos testes rápidos nas farmácias foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em abril de 2020, em caráter temporário e excepcional, enquanto perdurar o estado de calamidade ocasionado pela pandemia do novo coronavírus.
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