Pessoas podem ficar com receio de encostarem umas na outras por um tempo, diz psicóloga
Pandemia pode modificar a forma das pessoas se relacionarem
Em meio à pandemia da Covid -19, o Dia Internacional do Aperto de Mão, comemorado neste domingo (21), se torna ainda mais significativa, afinal, se alguém afirmasse no início de 2020 que hoje não seria possível, por uma questão de segurança, realizar um dos cumprimentos mais antigos e tradicionais da história, ninguém acreditaria.
Para a professora de Psicologia da Uninassau, Centro Universitário Maurício de Nassau Maceió, Sabine Heumann, a pandemia pode modificar a forma das pessoas se relacionarem. “Existe uma tendência de que os cuidados sejam maiores após a pandemia. Claro, isso varia muito entre pessoas que estão levando a sério e as que não estão. Pode acontecer das pessoas ficarem, por um período, com receio de encostarem umas na outras. Passado esse momento, muitas vezes o cumprimento vai ser um ‘tchauzinho’ de longe ou um aceno, tudo vai depender de quanto tempo isso vai durar. Mas, sim, a pandemia pode transformar a forma como a gente se relaciona, por causa do receio e cuidado que estamos aprendendo a ter agora”, explica.
Apesar do medo da Covid-19, muitas pessoas estão sofrendo com a falta de contato pele a pele. “Se a pessoa está realmente muito isolada, sem contato até com a família por morar em casas separadas, isso realmente pode desencadear uma grande tristeza. O ser humano é um ser social, que precisa de outras pessoas e interação com quem gosta. Isso é importante para a saúde mental e o bem-estar de uma maneira geral. Então, o abraço e até mesmo o aperto de mão com certeza fazerem falta”, comenta.
Para driblar a ausência do contato físico e amenizar o sofrimento é necessário ser criativo e utilizar a tecnologia ao favor. “Temos alguns exemplos que viralizaram na internet, inclusive, de familiares que fizeram camadas de proteção com plástico para ter uma interação física breve, com proteção. O segredo mesmo é utilizar muito a tecnologia. Não dá para estar próximo fisicamente, mas é possível fazer uma chamada de vídeo, por exemplo. Isso já ajuda mais que uma ligação de áudio, pois sentimos mais a presença da pessoa e conseguimos sentir como ela está”, finaliza Sabine.
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