Após ser devolvido para ONG, cachorro é 'contratado' e ganha até crachá
Cãozinho Assistente trabalha no Centro de Atenção Psicossocial de Guararema (SP).
Um cachorro de apenas 7 meses deu a volta por cima depois de ser adotado e devolvido a uma ONG de Guararema. Assistente, mais conhecido como Assis, foi “contratado” pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da cidade e ganhou até um crachá de funcionário.
Segundo a Prefeitura, o mascote tem auxiliado nos atendimentos aos pacientes, brincando, fazendo carinho e ajudando no estabelecimento de vínculos de cuidado, afeto e responsabilidade. Ele ainda participa de reuniões administrativas.

Assis mudou a rotina do CAPS de Guararema e faz sucesso entre funcionários e pacientes — Foto: Vitoria Mikaelli/Prefeitura de Guararema
De acordo com Jéssica Falco, assessora de saúde mental e coordenadora do CAPS, a ideia de adotar um cãozinho na unidade surgiu há pouco mais de um ano. O objetivo era ter um companheiro que pudesse ajudar nos trabalhos. Porém, com a pandemia, o plano precisou ser adiado.
Em fevereiro desse ano, ela viu nas redes sociais de uma ONG que o cachorrinho, até então chamado de Ursão, estava a procura de um novo lar. Jéssica entrou em contato e logo ele foi adotado. Ganhou o nome de Assistente e acabou virando o xodó dos funcionários e pacientes.

Assis chegou a ser devolvido para a ONG em que vivia, em Guararema, antes de ser adotado pelo CAPS — Foto: Reprodução/Instagram
“Está sendo bem agradável. Traz uma nova rotina para o serviço. A gente teve que adaptar algumas coisas aqui, teve que organizar a questão do portão para ficar atento, não deixar ele fugir. Ele é filhote, então ele é muito agitado. Ou ele dorme muito, ou está muito agitado. São as duas personalidades dele”, ri Jéssica.
“Fizemos algumas adaptações, mas ele fica solto aqui. Todo mundo fica de olho nele, ele fica onde ele quer. Se ele começar a destruir alguma coisa a gente vai e organiza para não destruir mais, porque ele tem esse instinto por ser filhote. Mas ele fica solto, participa de reunião, participa de grupos. Tudo que ele ficar quietinho e der para participar, ele participa”, completa.
Assis, que não tem raça definida, ainda é considerado filhote, mas já assume grandes responsabilidades. Ele participa dos encontros de pacientes, faz companhia para as crianças e ganha carinho na sala de espera. Não há quem resista ao olhar charmoso do funcionário de quatro patas.
No entanto, a vida de Assistente nem sempre foi fácil. De acordo com Iara Rodrigues dos Santos, responsável pela ONG Ampara, onde ele viva, o cãozinho chegou a ser adotado e devolvido, porque a tutora resolveu trocá-lo por uma fêmea. Situação que, segundo ela, não é incomum.
“Ele veio, nós vermifugamos, vacinamos. Quando ele estava na primeira dose da vacina, uma pessoa quis um cachorrinho para a filha, peludinho. Eu doei o cachorro e voltei para dar o resto das vacinas. Mas, quando eu voltava, eu não ficava feliz com o que eu via. Não estavam dando ração de qualidade, ele não estava tão bem cuidado”.
“Quando fui dar a última dose da vacina, eu conversei com a mulher, que disse que estava tudo bem. Logo em seguida, ela me mandou uma mensagem dizendo que a filha não gostava muito dele, que queria trocar por uma fêmea. Era tudo que eu precisava. Busquei ele, muito brava, mas trouxe para cá”, relembra.
Revoltada, a filha de Iara fez uma publicação nas redes sociais para relatar a devolução do mascote. O post foi visto pela coordenadora do CAPS, que ficou interessada em adotá-lo. Segundo a responsável pela ONG, a mãe e uma irmã de Assis já ganharam um novo lar, enquanto outros três irmãos seguem à espera.
“Minha filha, que mexe no Instagram, soltou um post sobre ele. Como ele sempre foi muito fofo, muito bonachão, peludão, nada a ver com a mãe, com os irmãos... Foi quando a Jéssica viu. Em seguida eu castrei e ela adotou ele”.
“Agora ele está lá, todo pimpão de crachá. Ele é muito querido. Eu falo que até emprego ele arrumou nessa pandemia”, brinca Iara.
Atualmente a ONG Ampara conta com cerca de 140 animais, entre cães e gatos. Em 18 anos, segundo Iara, foram mais de 2 mil animais castrados e doados. O trabalho é apoiado pela Prefeitura, mas a entidade também conta com a realização de bazares e sorteios, por exemplo, para complementar a renda.
A expectativa é de que os outros animais tenham destinos tão felizes quanto o do Assistente. “Estamos na luta, fazendo o que dá. Temos as pessoas que apadrinham mensalmente e assim a gente vive. Como toda ONG que se houve, é uma luta só, mas graças a Deus estamos de pé e a gente corre atrás”, conclui.
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