[Vídeo] Familiares fazem passeata por justiça para Danilo Fernando, morto durante abordagem policial em Arapiraca
Morte de adolescente completa um ano nesta sexta-feira (25)
Um ano após a morte do adolescente Danilo Fernando da Silva, a dor e a revolta dos familiares ainda não cedeu. No final da manhã desta sexta-feira (25), eles fizeram uma passeata até a sede da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Arapiraca - e ao Fórum para pedir celeridade no processo respondido pelos policiais militares que efetuaram disparos contra a vítima. O grupo foi recebido pela comissão de Direitos Humanos da OAB, que vai acompanhar o caso.
Em 25 de novembro de 2021, Danilo Fernando estava pilotando uma moto Honda Pop 100 - comprada por ele próprio com o salário de Jovem Aprendiz - no sítio Barreiras, zona rural de Arapiraca, quando foi alvo de uma abordagem policial e não obedeceu a ordem de parada.
Conforme a versão dos policiais, além de tentar fugir da abordagem, o adolescente teria deflagrado disparos de arma de fogo contra a guarnição. Os policiais militares revidaram e atingiram o adolescente, que morreu antes de dar entrada no Hospital de Emergência do Agreste.
Os familiares afirmam que Danilo pode ter tentado furar o bloqueio por receio de ter a motocicleta apreendida, mas refutam que o rapaz teria atirado contra a guarnição.
"Meu filho era um rapaz cheio de alegria, estudava e trabalhava, não andava com más influências e foi vítima de uma crueldade muito grande. Além de matarem ele, ainda sujaram seu nome, dizendo que ele era criminoso", disse a mãe da vítima, Gilvanete Ferreira de Lima.

De acordo com o advogado contratado pela família, João Lucas Pereira, a versão que os policiais apresentaram na época do fato continha muitas inconsistências e não batia com as provas colhidas no local onde o crime aconteceu.
Dentre essas inconsistências está o fato de que os policiais informaram que Danillo estava acompanhado de um comparsa na garupa, que teria conseguido fugir. Mas a informação é inverídica e foi provada graças a câmeras de videomonitoramento de residências da região, que mostram o menor conduzindo a motocicleta sozinho.
"Além disso, a bala que atingiu Danilo entrou pelas suas costas e ficou alojada no peito direito, vindo a perfurar o rim. A trajetória do projétil aponta que a vítima estava de joelhos ou deitada na hora em que recebeu o tiro, o que difere dos relatos dos policiais, que na época disseram ter revidado contra Danilo após ele ter atirado contra a guarnição", explicou o advogado.
Ainda segundo o jurista, o local do crime foi adulterado. A moto utilizada por Danilo foi removida do local, a vítima foi socorrida pelos próprios policiais até o Hospital de Emergência do Agreste, onde morreu, e as cápsulas também foram retiradas da cena do crime. Também há fortes indícios de que a arma atribuída pela polícia à vítima tenha sido implantada.
"A guarnição responsável pela ação policial que resultou na morte de Danilo era composta por quatro militares. Dois deles confessaram que atiraram contra o filho dos meus clientes", concluiu João Lucas Pereira.
De acordo com informações colhidas pelo Portal 7Segundos, o Ministério Público Estadual (MPE/AL) deve oferecer denúncia contra os policiais envolvidos no caso na próxima semana.
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