[Vídeo] Kariri-Xocó gravam clipes de cantos ancestrais para projeto Natura Musical
Grupo da etnia tem gravações de áudio disponíveis em plataformas digitais
Cantos e danças ancestrais, repassados de pais para filhos na tradição dos indígenas Kariri-Xocó, serão imortalizados em clipes musicais que estão sendo gravados no projeto Natura Musical. As gravações iniciam nesta sexta (12) e se estendem até o domingo na tribo localizada no município de Porto Real do Colégio.
"Iremos gravar três cantos do álbum Nemboé, que significa 'avante para o mundo'. Um deles é o canto do João-de-barro, que uma espécie guardiã na formação da morada e cuidado com a família e representa a segurança no que se proteje. Esse canto trás a força sagrada que viabiliza o sucesso, companheirismo, segurança na conquista e a fidelidade daqueles que são determinados a construir a pedra fundamental para deixar um legado, entre eles a família", explica o jovem Tkay Mirim, 23 anos, cujo nome signica "pegueno conselheiro" no idioma indígena.
Além do canto do João-de-barro, também serão gravados clipes da Toré dos Anciãos, e Louvores ao Mestre, cantos tradicionais da tribo Kariri-Xocó e que podem ser ouvidas gratuitamente nas plataformas de streaming musicais.
A ancestralidade e a conectividade de um grupo de jovens indígenas da tribo, que possuem um podcast transmitido pelo Youtube e que chamou a atenção com vídeos mostrando o dia a dia da comunidade no TikTok, ajudaram os Kariri-Xocó a serem escolhidos no edital Natura Musical 2022.
O edital recebeu 2.500 inscrições e selecionou 30 projetos, somando 15 artistas, oito festivais e sete coletivos, entre eles o formado pelos indígenas de Porto Real do Colégio. Os projetos irão receber um total de R$ 6 milhões de investimentos que, em Alagoas, patrocinam a produção de três clipes musicais e a gravação em estúdio do álbum "Cantos Sagrados Kariri-Xocó", além de ajudar na divulgação da cultura indígena pelo mundo.
Indígenas conectados
Para chegar ao momento atual da difusão da cultura tribal na internet, os jovens Kariri-Xocó percorreram um longo caminho, iniciado em 2017 por cinco guerreiros - como se autodenominam pela garra e pelas dificuldades enfrentadas ao longo do tempo - que criaram o perfil "Artefatos Sagrados" no Instagram, com o objetivo de melhorar as vendas do artesanato produzido na tribo.
"A gente começou postando apenas as fotos das peças e acreditada que só porque estava publicado na internet, todas as pessoas iriam ver e comprar, como a gente via nas novelas. Por isso não deu muito certo no começo, mas a gente lutou e aprendeu a criar conteúdo mais interessante", conta Tkay Mirim.
O acesso à internet por meio dos celulares e o consumo de conteúdo nas redes sociais, aliado às dificuldades financeiras principalmente no período da pandemia, fez com que o grupo passasse a investir na produção de vídeos com o objetivo de difundir a cultura indígena.
"Já existia o grupo cultural, que fazia apresentações em escolas, principalmente no período do Dia dos Povos Indígenas, que servia também de oportunidade para a gente vender nosso artesanato. Com a pandemia, as apresentações pararam, então também levamos isso para a internet", explica do jovem.
O conteúdo cultural e a seleção para o edital acabaram também chamando a atenção do cineasta francês Karim Akadiri Soumaila, radicado em São Paulo há uma década, que já visitou a tribo e negocia com plataforma de filmes, a produção de documentário sobre a tribo.
Últimas notícias
Soldado de Israel faz foto com cigarro na boca de Virgem Maria
Casamento de 23 anos acaba após marido trocar mulher por monge
Influenciadora se transforma em Michael Jackson com maquiagem. Veja fotos
Com relatório de Renan Filho, comissão aprova renovação gratuita da CNH
Anvisa vai monitorar efeitos colaterais de canetas emagrecedoras
STF suspende julgamento de recurso para garantir revisão da vida toda
Vídeos e noticias mais lidas
Publicado edital para o concurso do Detran; veja cargos e salários
Jovem morre após complicações de dengue hemorrágica em Arapiraca
Estudantes se formam na Uninassau Arapiraca e descobrem que curso não é reconhecido
Com avanço das obras, novo binário de Arapiraca já recebe sinalização e mobiliários urbanos
