Contribuição de Esperidião Rodrigues para Arapiraca foi muito além da emancipação
Antes mesmo da emancipação, o político ajudou a fundar escolas, cartório e uma agência dos Correios
O nome de Esperidião Rodrigues, primeiro prefeito de Arapiraca, está estampado pelos quatro cantos de Arapiraca, mas sua contribuição para que hoje conhecemos como Capital do Agreste alagoano foi muito além da emancipação política da cidade, em 1924.
Esperidião foi o primeiro comerciante da cidade em 1880 e também foi responsável pela criação da feira de Arapiraca, a fim de facilitar a vida dos moradores. Além do lado empreendedor, o major tinha uma veia política e participava da administração pública de Limoeiro de Anadia, cidade a qual Arapiraca pertencia à época.
Através de seus requerimentos, conquistou a primeira escola pública municipal, que passou a funcionar em 1891, uma agência dos Correios em 1892 e, no mesmo ano, também conseguiu o Distrito Civil de Arapiraca, com a criação do Cartório de Registros de Nascimentos.
Em 1908, Esperidião Rodrigues adquiriu instrumentos musicais na França e criou uma escola musical e uma orquestra, que um ano mais tarde já embelezava as festas. Eleito presidente do conselho de Limoeiro, ele favoreceu Arapiraca com a construção de mais uma escola em 1912.
Três anos mais tarde Esperidião foi eleito Intendente de Limoeiro e em 1918, seu último ano no cargo, ele criou o Tiro de Guerra em Arapiraca, que já se considerava um lugar independente, faltando “apenas” a emancipação e a freguesia eclesiástica.
Desgostoso com a política e se sentido traído por alguns jovens que queriam afastar “o velhinho”, alegando que o mesmo “não servia mais”, Esperidião vendeu suas propriedades, reuniu os filhos e foi fixar residência no povoado de Igreja Nova. Quando a saúde do chefe da família começou a preocupar, mais uma mudança, foram para o povoado Lagoa Comprida, em São Brás, às margens do Rio São Francisco.
EMANCIPAÇÃO POLÍTICA
Em abril de 1914, um momento crucial ocorreu em Lagoa Comprida quando Domingos Lúcio da Silva, sobrinho de Esperidião, chegou com uma carta que solicitava a presença de Esperidião para liderar o movimento de emancipação de Arapiraca, desmembrando-o da Vila de Limoeiro de Anadia.
Reunindo a sua família, Esperidião compartilhou a urgência da situação e se comprometeu a fazer todo o possível para realizar o anseio de todos os arapiraquenses.
No mesmo mês de outubro, Esperidião cavalgou até Maceió, a capital do estado, a fim de estabelecer contatos com as autoridades estaduais e garantir que o processo de emancipação de Arapiraca seguisse o devido curso legal e fosse submetido ao voto dos deputados.
O período de espera foi longo, mas a determinação de Esperidião permaneceu inabalável. Durante um período de 40 dias, ele perseverou, visitando o Palácio incansavelmente. As secretárias logo o identificavam quando se aproximava, apontando: "Lá vem o homem dos olhos azuis."
Em uma dessas visitas, Esperidião teve a fortuna de se encontrar com o deputado Odilon Auto, que concordou em apoiar a proposta de emancipação. No entanto, o processo não dependia apenas dos deputados; a autorização do secretário da Fazenda na época, Castro de Azevedo, também era necessária.
Apesar da resistência de Castro, que argumentava que a emancipação prejudicaria Limoeiro de Anadia, ele declarou a Esperidião: "Não prometo trabalhar ativamente pela emancipação de sua terra, mas prometo não criar obstáculos à concretização de seus objetivos."
No mesmo dia, o processo foi encaminhado ao plenário e recebeu um voto favorável, marcando assim o início do caminho rumo à emancipação política de Arapiraca.
Em 31 de maio de 1924, Esperidião recebeu um telegrama oficial assinado pelo governador da época, Fernandes Lima, informando sobre a sanção da lei que criava o município de Arapiraca.
"Acabo de sancionar Projeto Lei criando o município de Arapiraca que cuja população laboriosa, adiantada e progressista, congratulo por intermédio amigo, grande incansável paladino dessa conquista, que representa ato de justiça aos poderes públicos a um povo que se levanta por si próprio, que tem iniciativa e que progride", dizia o telegrama, que está eternizado nas mãos de Esperidião Rodrigues, em uma escultura exposta na Praça Luiz Pereira Lima, Centro de Arapiraca.

Apesar da aprovação oficial, várias questões burocráticas precisaram ser superadas. Após a transição do cargo de governador de José Fernandes de Barros Lima para o Dr. Pedro da Costa Rego em 12 de junho de 1924, coube à nova administração a honra de realizar, em uma festiva celebração no dia 30 de outubro, a posse da Junta Governativa de Arapiraca e a proclamação de sua legítima emancipação.
No dia 1º de janeiro de 1925, Esperidião foi eleito como o primeiro prefeito de Arapiraca pelo voto popular, tendo como vice José Zeferino de Magalhães. Eles permaneceram no comando até 1928.
Em 1930, Esperidião foi reeleito para o cargo de prefeito, sendo acompanhado desta vez por Antonio Romualdo como vice-prefeito. A dupla governou até 1932, quando ocorreu a Revolução Constitucionalista, a partir da qual os prefeitos passaram a ser nomeados pelos interventores.
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