Luana Santos: conheça a historia da farsante da ESPN que enganou até a CBF
A ESPN disse publicamente estar ciente e tratando o caso com seu departamento jurídico
Luana Santos, uma jovem de 19 anos, desconhecida do grande público, se tornou a principal notícia dos bastidores do jornalismo esportivo brasileiro na última semana. Desde 2023, ela ostentava credenciais falsas, acessava jogos de futebol e áreas restritas à imprensa e se identificava como se fosse profissional da área. Tudo mentira. Ela foi desmascarada e ficou conhecida como a farsante da ESPN.
Luana se passava por funcionária do canal esportivo pertencente à Disney. Postava fotos do ambiente de redação, fazia selfies em estádios de futebol, pedia fotos a atletas e se apresentava como setorista do Red Bull Bragantino, além de funcionária do marketing do Corinthians, o que de cara, já era motivo para desconfiança, diante de um claro conflito ético de interesses. O comportamento dela era de uma influenciadora, sem jamais ter colocado os pés dentro da sede da emissora, em São Paulo.
Ninguém jamais desconfiou. Luana pedia credenciamento para jogos de futebol feminino e também masculino. Alguns negados e outros aprovados. Recentemente, ela teve sua entrada autorizada para trabalhar em Red Bull Bragantino e São José, pela Copa do Brasil, na última terça-feira (11). Mas foi barrada em Corinthians x Cruzeiro, pela Supercopa Feminina, no dia seguinte. Tudo com credenciais falsas. Inclusive o crachá que ela utilizava como da ESPN tinha discrepâncias estéticas em relação aos funcionários da empresa.
Luana chegou a participar de um podcast em 2014 em que falou abertamente sobre sua rotina como jornalista esportiva e dentro da ESPN.
Quando a casa de Luana Santos caiu
Todo profissional de imprensa quando pede credenciamento para um evento esportivo o faz por meio de um e-mail corporativo. Além disso, para jogos de futebol profissional, precisa, necessariamente, ser afiliado a uma entidade de classe, normalmente a Associação de Cronistas Esportivos de cada estado. Luana solicitava por conta própria. Em eventos com alta demanda de jornalistas era ela barrada, mas em partidas com menor apelo era autorizada a “trabalhar”.
A Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) garante que Luana não é registrada nos seus quadros. Os acessos aos eventos esportivos são de responsabilidade dos organizadores.
Porém, a CBF desconfiou de um comportamento incomum. A ESPN, quando credencia seus profissionais, o faz em equipe: repórter, produtor e cinegrafista. Luana se credenciava de forma isolada. Foi então que a entidade avisou a empresa, que começou a investigar. Ninguém conhecia Luana internamente.
Porém, a falsa profissional se relacionava com outros jornalistas por conta de suas presenças em eventos esportivos. Era amiga de algumas colegas e nunca levantou suspeita. Quando a lebre foi levantada, ela foi confrontada por uma dessas colegas e a bloqueou. Ela mudou a descrição da bio do seu Instagram para ex-ESPN e logo depois cancelou a conta.
Seu número de telefone também não funcionou mais e desde então não se sabe mais nada sobre ela.
O que dizem os envolvidos
A ESPN disse publicamente estar ciente e tratando o caso com seu departamento jurídico. A empresa não descarta processar Luana. Já Corinthians, por meio de nota, negou que ela fosse funcionária do clube. Luana não manifestou depois que foi descoberta. O espaço segue aberto.
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