'Ele não aguenta mais esperar': família luta para garantir cirurgia de jovem internado em Arapiraca
Após decisão judicial determinar transferência para hospital particular, burocracia e falta de respostas ainda impedem avanço do procedimento
A situação de Michael dos Santos Salgueiro, de 29 anos, continua sem solução definitiva mais de dois meses após o acidente de moto que o deixou com uma grave fratura na coluna. Internado desde o dia 28 de setembro no Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca, ele segue aguardando a cirurgia necessária, agora sob decisão judicial.
A família, que já havia iniciado uma campanha pública para arrecadar cerca de R$ 70 mil e custear o procedimento de forma particular, recebeu novas orientações da Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL). Segundo a irmã do paciente, Michele Salgueiro, o processo judicial passou por uma reviravolta nos últimos dias.
Ela relata que a primeira decisão negou a realização da cirurgia, sob o argumento de que o caso não teria caráter urgente. No entanto, a Defensoria recorreu, e o processo foi analisado por um desembargador em Maceió — desta vez, com parecer favorável ao paciente.
"Ele determinou que meu irmão seja transferido para um hospital, nem que seja particular", explicou Michele.
Apesar da decisão judicial, a família ainda não conseguiu avançar para a etapa final, pois a Defensoria exige orçamentos detalhados da cirurgia, incluindo CNPJ das instituições hospitalares, lista de materiais e laudo médico com especificações.
Michele relata dificuldades para obter essa documentação: "Estou correndo atrás dos orçamentos. Falei com o hospital, mas eles pediram um documento detalhado do médico. Só que esse médico só passa na quinta-feira. Então estou aguardando para conseguir tudo por escrito e levar para a Defensoria, porque só assim o Estado pode liberar o dinheiro para fazer a cirurgia particular."
Ela afirma ainda que recebeu apoio de pessoas externas, incluindo contatos políticos, mas, por enquanto, sem resultado concreto.
Enquanto isso, Michael permanece internado, sentindo fortes dores e sem previsão para o procedimento. Segundo informações repassadas à família pelo hospital, a fila do SUS para cirurgias como a dele pode levar entre seis meses e um ano.
O desespero e a exaustão já são realidade para os familiares.
"Eu já estou pedindo ajuda dos outros porque não sei mais o que fazer. Não conseguimos nada até agora. Se depender da fila, vai demorar demais, e ele não aguenta mais ficar assim," desabafou Michele.
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