Silêncio de Fachin alarma integrantes do STF que pregam defesa de Moraes
Ministros do STF discutiram internamente se fariam manifestações públicas em apoio a Alexandre de Moraes após críticas e reportagens sobre o caso Banco Master
O silêncio do presidente do Supremo, Edson Fachin, diante das críticas ao seu vice, o ministro Alexandre de Moraes, se tornou assunto entre os demais integrantes da corte, que, às vésperas do Natal, discutiam se articulavam ou não notas e pronunciamentos em defesa do colega.
Coube ao decano, Gilmar Mendes, declarar confiança total no trabalho de Moraes. Outros, porém, debateram em privado se registravam ou não manifestações de solidariedade ao relator dos julgamentos da trama golpista.
Moraes foi obrigado a divulgar três notas oficiais — uma delas era apenas uma correção de datas da imposição da Magnitsky sobre o ministro — para reagir a reportagens que apontaram seu suposto interesse no andamento da tentativa de compra do banco Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília), barrada em definitivo em setembro pelo Banco Central.
Os relatos foram negados pelo ministro, pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e, por fim, pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.
Segundo a coluna apurou, o ministro esteve com o presidente do BC, mas o tema central das reuniões era a aplicação da lei Magnitsky pelos Estados Unidos, primeiro sobre o magistrado e depois sobre sua mulher e os negócios da família.
O caso Master foi citado. Durante os encontros, o tema era alvo de franco debate em Brasília, com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, defendendo o negócio, assim como políticos de diversos partidos no Congresso Nacional.
A tentativa de compra não avançou porque o BC apontou irregularidades e riscos ao negócio, decidiu liquidar o Master e ainda encaminhou, em março, uma série de dados que deram início a investigações na PF sobre a gestão da instituição financeira.
A esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, que é advogada, foi contratada pelo banco para atuar na esfera criminal mas, segundo o ministro, jamais exerceu qualquer papel na defesa dos interesses do Master junto ao BC e tampouco no Supremo.
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