[Vídeo] Polícia fecha quatro fazendas clandestinas de criptomoedas e revela esquema milionário em AL
Estruturas ilegais em Porto Real do Colégio furtavam energia em larga escala e captavam água do Rio São Francisco para manter operação contínua
A Polícia Civil de Alagoas desarticulou, nesta sexta-feira (9), um esquema de mineração ilegal de criptomoedas instalado na zona rural de Porto Real do Colégio, no interior do estado. A operação resultou no fechamento de quatro fazendas clandestinas e na apreensão de equipamentos tecnológicos de alto desempenho utilizados na produção de moedas digitais.
A ação foi conduzida pela Diretoria de Inteligência Policial (Dinpol), com suporte tático-operacional da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). Durante as diligências, os policiais encontraram estruturas montadas de forma irregular, equipadas com máquinas próprias para a chamada mineração de criptomoedas — atividade que envolve o processamento contínuo de cálculos matemáticos complexos para validação de transações digitais.
As investigações apontaram que o funcionamento das fazendas dependia de práticas ilícitas, como o furto de energia elétrica em grande escala, por meio de ligações clandestinas diretamente na rede de distribuição. Além disso, foi constatado o bombeamento irregular de água do Rio São Francisco, utilizado para resfriar os equipamentos e garantir a operação ininterrupta das máquinas.
Segundo o delegado Thales Araújo, diretor da Dinpol, a mineração de criptomoedas não configura crime quando realizada dentro da legalidade, o que não era o caso das estruturas descobertas. “Em todos os pontos identificados havia ligações ilegais de energia. O consumo excessivo provocava quedas de tensão, picos elétricos e danos a eletrodomésticos de moradores da região, gerando prejuízos diretos à população”, afirmou.
Ainda de acordo com o delegado, o volume de energia desviada chama atenção pelo impacto financeiro. A estimativa é de que as quatro fazendas consumiam cerca de 200 mil kWh, o que corresponde ao gasto médio de aproximadamente mil residências. O prejuízo mensal com energia furtada foi calculado em torno de R$ 155 mil, podendo chegar a R$ 750 mil em apenas cinco meses de atividade ilegal.
A Polícia Civil também apura a possível ligação do esquema com outros crimes, como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, comuns nesse tipo de exploração clandestina. As investigações seguem em andamento para identificar todos os responsáveis e promover a responsabilização criminal dos envolvidos.
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