Advogada conhecida por defender mulheres entra no caso da jovem estuprada em Coité do Nóia: ‘vamos brigar’
Defesa do principal suspeito criticou campanha que dará recompensa de R$100 mil para quem apontar o paradeiro do suspeito
A busca por justiça para Maria Daniela, jovem que sofreu graves sequelas neurológicas após ser vítima de violência extrema, ganhou um novo capítulo. A advogada e fundadora da associação em defesda de mulhres AME, Júlia Nunes, anunciou oficialmente que assumiu a defesa da família da vítima. O caso, que chocou Alagoas, envolve acusações de estupro e tentativa de feminicídio ocorridas há cerca de um ano.
A advogada descreveu o estado de Daniela como resultado de uma violência "brutal" e "desumana". Segundo o relato, a jovem saiu de casa com um rapaz e retornou sem conseguir andar, enfrentando danos neurológicos permanentes.
"Uma menina que perdeu sua juventude, que se encontra com danos gigantescos. Ela foi vítima de tentativa de feminicídio mais estupro. Foi tão arrastada, tão machucada na cabeça que... tiveram que cortar o cabelo dela no hospital. Era impossível tirar o nó do cabelo de tanto que ela foi maltratada, de tanto que ela foi torturada".
Ainda de acordo com Júlia Nunes, Daniela permanece há um ano sem autonomia básica. "Tem um ano que ela não consegue fazer o mínimo, como tomar seu banho, se higienizar ou ir ao banheiro sozinha".
Críticas à defesa do foragido
O principal suspeito, Vitor Hugo, encontra-se foragido há um ano, apesar de ter um mandado de prisão expedido. A advogada criticou duramente a estratégia dos advogados de defesa do acusado, que utilizaram as redes sociais para questionar a materialidade do crime e alegar segredo de justiça.
Sobre a ausência de sêmen citada pela defesa de Vitor Hugo, a advogada rebateu:
"Ora, para poder ser estupro precisa ter sêmen? O processo está em segredo de justiça, mas a medicação encontrada no sangue dela foi fornecida pelo hospital. Como o processo está em segredo e você dá informações que eu nem sei se são sinceras e verdadeiras?".
Em apoio à captura do foragido, o vereador Alisson da Tim, de Arapiraca, em parceria com empresários da região, ofereceu uma recompensa de R$ 100 mil para quem fornecer informações que levem ao paradeiro de Vitor Hugo. A iniciativa foi elogiada pela nova advogada do caso, que destacou a coragem do parlamentar em se envolver mesmo não sendo um caso de seu município de origem.
Compromisso com o Caso
A advogada finalizou o anúncio reafirmando seu compromisso em lutar pela condenação do culpado e convocou a população a compartilhar informações sobre o suspeito.
"Nós lutaremos juntos para que menos um criminoso fique na rua. Se não foi ele, por que ele não se apresentou e mostrou então quem cometeu? Sair de casa com um paquera e voltar na situação que ela se encontra até hoje, isso foi um crime brutal e nós não silenciaremos".
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