Evento em São Paulo discute tortura no país
O Memorial da Resistência, no Largo General Osório, na região da Luz, na capital paulista, antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), recebeu neste sábado (25) um debate sobre a tortura. O debate antecede o Dia Internacional da Luta contra a Tortura, celebrado no dia 26 de junho.
Durante o evento, chamado de Tortura, Crime que os Humanos Cometem contra os Próprios Humanos, Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes, psicóloga, psicanalista e doutora em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e autora do livro Tortura, Testemunhos de um Crime Demasiadamente Humano, disse que a tortura surgiu no país já com a chegada dos portugueses, em 1500, e que ainda persiste no Brasil.
Segundo ela, a tortura já foi mecanismo usado por regimes autoritários no mundo todo, mas foi constante no país durante o período colonial, principalmente em relação aos indígenas, e também nos tempos da escravidão. Além disso, ela foi usada de forma sistemática durante a ditadura militar brasileira. “A tortura começou no nosso país em 1500 e ela persiste, de formas diferentes”, disse.
“A prática de tortura é uma prática regular e corriqueira que a burguesia faz”, disse Ivan Seixas, ex-preso político e presidente do Conselho do Núcleo Memória e integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
Para ele, a tortura é uma profissão [porque os torturadores, em geral, são pagos para cometê-la] e poderia ocorrer com qualquer pessoa. “A tortura é uma profissão. Essa normalidade profissional de torturador é o que precisamos quebrar. Sou contra a vitimização. Ele [torturador] faria isso contra absolutamente qualquer um que aparecesse na frente dele. A tortura é uma prática de dominação, de imposição pelo terror e tem um caráter muito danoso e, junto dela, há uma parceira, que é a omissão”, disse Seixas.
Combate à tortura
Para Seixas, a tortura deve ser sempre combatida e esse combate deve ocorrer de forma coletiva. “A tortura não pode acontecer porque isso é uma prática humanamente condenável. O ser humano é o único capaz de produzir dor e prazer a outro ser humano. E a dor é absolutamente condenável. E o combate [à tortura] deve ser feito com mobilização da sociedade. Se não for coletivo, é apenas uma reclamação”, disse.
“Devemos organizar um levante civilizatório para reunir os indignados e os que podem se indignar”, propôs Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes.
Últimas notícias
Pesquisa Quaest aponta desgaste de Lula e cenário indefinido para 2026
Caio Bebeto alerta para risco de desabamento e insegurança em imóvel abandonado em Ipioca
Pela quarta vez, Deputado Fabio Costa assume vaga titular na Comissão de Segurança da Câmara
Novo tomógrafo do Hospital de Emergência do Agreste agiliza diagnóstico de traumas e AVC
Atalaia transforma a Busca Ativa Escolar em protocolo de proteção e cuidado com crianças e adolescentes
PF apreende 152 frascos de tizerpartida proibida pela Anvisa e prende suspeito por contrabando
Vídeos e noticias mais lidas
Defesa de Vitinho repudia oferta de recompensa e afirma que jovem corre risco de vida
Luciano Barbosa irá assinar ordem de serviço para o início das obras na Avenida Pio XII
Prefeito Luciano garante pavimentação de mais dois bairros de Arapiraca
Vigia que ‘terceirizou’ próprio posto terá de ressarcir aos cofres públicos R$ 104 mil
