Tentativa de golpe causou 194 mortes e mais de 1.500 militares detidos, diz Exército turco
Embora a rendição de soldados parecia significar o fim do golpe, ainda continuam combates em Ancara e Istambul
A tentativa de golpe militar na Turquia nesta sexta-feira (15) deixou pelo menos 194 mortos e mais de 1.500 militares detidos pelas forças leais ao governo do presidente Recep Tayyip Erdogan, de acordo com o chefe interino do Estado-Maior da Turquia, Ümit Dünar.
Dünar detalhou neste sábado (16) que dos 194 mortos, 104 eram golpistas, enquanto 1.536 militares foram presos, incluindo dois generais.
"A tentativa de golpe de Estado foi rejeitada desde o início pelo comando (do Exército). A solidariedade histórica na Turquia fez fracassar a tentativa de golpe", afirmou.
Dünar, nomeado hoje como chefe interino do Estado-Maior após o titular Hulusi Akar ter sido capturado pelos militares que apoiavam o golpe, acrescentou que outras 90 pessoas, entre elas dois militares, 41 policiais e 47 civis, morreram nos confrontos.
Akar foi libertado e já está de volta ao serviço, acrescentou Dünar durante entrevista coletiva transmitida pelas cadeias de notícias locais. "Muitos comandantes foram feitos reféns no Estado-Maior no início (do golpe) e levados para lugares desconhecidos", relatou o militar sobre os acontecimentos dramáticos das últimas horas.
"O presidente, o primeiro-ministro e os ministros do governo, todos se uniram ao Exército e impediram o golpe. A nação foi para as ruas e enfrentou os tanques", acrescentou Dünar.
"Infelizmente a Turquia testemunhou um grupo que disparou contra seu parlamento, contra seus cidadãos. Mas a nação não deve se preocupar: a Turquia terminou com a época dos golpes", concluiu o chefe do Estado-Maior interino.
Presidente reafirma controle do país
Pouco depois de voltar a Istambul, Erdogan, que estava de férias em um balneário do país no momento da conflagração do golpe, reafirmou o controle do país e que permanece no poder. "Este levante, este movimento é um grande presente de deus para nós. Porque o Exército será limpo", afirmou o presidente, assegurando que os golpistas pagarão caro por sua "traição".
Embora a rendição de 50 soldados que tinham bloqueado a Ponte do Bósforo parecia significar o fim do golpe, ainda continuam ainda combates esporádicos tanto em Ancara como em Istambul.
Nesta última cidade ainda há registros de tiroteios entre soldados que tentam deixar o quartel de Topkule, na periferia de Istambul, e forças policiais e militares leais ao governo que têm rodeado o edifício, de acordo com informações do jornal "Hürriyet".
Militares têm muita influência na Turquia
As Forças Armadas turcas, as mais numerosas da Otan depois dos Estados Unidos, têm um longo histórico de ingerência política e protagonizaram três golpes de Estado, em 1960, 1971 e 1980, além de forçar um governo de inspiração islâmica a deixar o poder, em 1997.
Na maioria dos casos, os golpes foram liderados pela cúpula militar, mas o movimento iniciado nesta sexta-feira (15) não contou com o apoio das maiores patentes das Forças Armadas.
Os principais comandantes militares - habitualmente discretos e reservados - se alternaram nas redes de televisão para denunciar o "ato ilegal" e pedir o retorno de seus companheiros aos quartéis.
O último golpe fracassado na Turquia ocorreu em 1963 e seu líder, um coronel, foi executado, pouco antes da Turquia abolir a pena de morte. (Com agências internacionais)
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