Ministros alagoanos estavam presentes em pronunciamento de Temer
O relógio já marcava 15h30 e o presidente Michel Temer (PMDB) ainda não havia aparecido — o pronunciamento havia sido marcado para as 15 horas. A sala estava lotada de jornalistas e políticos desconhecidos — o mais “famoso” era o ministro do Turismo Marx Beltrão (PMDB-AL), justamente um aliado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem atuado para sabotar o governo na votação da reforma trabalhista no Senado. Mauricio Quintella Lessa, ministro dos Transportes também estava presente e deu declarações de apoio ao presidente.
Alguns minutos depois, Temer entraria na sala à frente de um batalhão de parlamentares, boa parte do baixo clero da Câmara, os mesmos com os quais ele conta para barrar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção passiva. Para se converter em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), o processo precisa do aval de 342 dos 513 deputados — tarefa quase impossível levando em conta que o denunciado já presidiu três vezes a Câmara e comandou o PMDB por mais de 15 anos. Temer até aproveitou a ocasião para fazer uma graça: “Olha se eu fosse presidente da Câmara dos Deputados, eu faria uma sessão porque temos quórum, né? Depois, procurando demonstrar tranquilidade e leveza, como se não fosse o primeiro presidente da história do país a ser denunciado no exercício do mandato, disse estar “agradavelmente surpreso” com o apoio “extremamente espontâneo” dos parlamentares.
Espontaneidade talvez não fosse a palavra certa para anteceder o discurso que vinha sendo preparado desde a semana passada. Que o diga o vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS), que fez questão de posicionar duas deputadas ao lado de Temer — Elcione Barbalho (PMDB-PA), ex-mulher do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), e Rachel Queiroz (PSD-MG), a mesma que elogiou o marido prefeito de Montes Claros (MG) ao votar pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) e um dia depois o viu ser preso numa operação da Polícia Federal. Antes de iniciar o seu discurso mais duro contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Temer ainda comentou: “Agora sim uma companhia feminina”.
A imagem de Temer cercado por deputados e deputadas traz uma mensagem. Mesmo que seja desaprovado pela maior parte da população brasileira, ele ainda tem — ou busca mostrar que tem — o apoio do Congresso. E neste momento é só disso que ele precisa para continuar no cargo até o fim de 2018.
Veja também
Últimas notícias
Jovens em cumprimento de medidas socioeducativas são capacitados para o primeiro emprego
Condenação passa de 23 anos em ação do MPAL contra esquema em Arapiraca
Alcolumbre mantém votação de quebra de sigilo de Lulinha por CPMI do INSS
Vereadores exigem punição rigorosa à Braskem e cobram indenizações justas para famílias afetadas pela mineração
Caminhão tomba em São José da Laje e motorista é socorrido com dores no braço e na costela
JHC inaugura primeiro Gigantinho bilíngue da história de Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
Indústria brasileira do setor alimentício terá fábrica em Rio Largo
