Justiça determina: Estado deve implantar centro de atendimento para vítimas de violência sexual
O Estado de Alagoas deve implantar em Maceió, no prazo de 90 dias, o Centro Especializado de Atendimento Integrado em Saúde (Cais Saúde), voltado para vítimas de violência sexual. A decisão, que atende pedido da Defensoria Pública, é do juiz Manoel Cavalcante de Lima Neto, da 18ª Vara Cível da Capital.
Para formular o pedido, a Defensoria utilizou informações apresentadas pelo próprio Governo do Estado, que registrou 15.520 notificações de violência sexual entre os anos de 2011 e 2014. Maceió apareceu no topo da lista, com 4.818 casos notificados, seguida por Arapiraca, com 2.512 casos, e Santana do Ipanema, com 564 notificações. Em 2015, somente na capital alagoana teriam sido 805 casos.
Para conferir um melhor atendimento às vítimas desse tipo de violência, a Defensoria Pública requereu que fosse tirado do papel o projeto que criou o Cais Saúde, elaborado em julho de 2015 pelas secretarias da Saúde (Sesau), da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh) e de Prevenção à Violência (Seprev).
O Estado de Alagoas alegou não haver omissão no atendimento às vítimas de violência sexual. Afirmou que existem dois hospitais capacitados no atendimento a essas pessoas, contando com equipe multidisciplinar. Sustentou ainda que a construção do Cais Saúde, apesar das boas intenções, é uma solução de alto custo e que não resolve os problemas constatados.
Para o juiz Manoel Cavalcante de Lima Neto, a falta de estrutura para tratamento adequado aumenta o sofrimento da pessoa que sofreu violência sexual. “Tais situações são cercadas por tabus e preconceitos, os quais, muitas vezes, são reproduzidos pelos agentes de segurança pública, de saúde e até do próprio Poder Judiciário. Essas estruturas, se não estiverem preparadas para receber casos dessa espécie, podem terminar por agravar a situação vivenciada pela vítima”.
Ainda segundo o magistrado, o projeto de criação do Cais Saúde detalha a forma de atendimento às vítimas, o fluxo de funcionamento da rede de proteção às pessoas vítimas de violência sexual, a rede de atenção, os recursos humanos, a estrutura física, a relação do material necessário, entre outros pontos.
“Em face da omissão estatal, poderá haver dano irreparável ou de difícil reparação às vítimas de violência sexual, caso o provimento judicial não seja desde logo deferido”. A decisão liminar foi proferida no último dia 13.
Veja também
Últimas notícias
Núcleo de Línguas Estrangeiras amplia vagas com novas turmas de inglês
Câmeras flagram motociclista tentando frear antes de colisão fatal em Arapiraca
Polícia Militar apreende armas, cocaína, maconha, crack e lança perfume
Dívida ligada ao tráfico pode ter motivado homicídio dentro de mercadinho em Maragogi
Irmãos são presos suspeitos de executar comerciante e roubar carga de frangos
Arsal aprova novas regras para concessão da Tarifa Social de Água e Esgoto em AL
Vídeos e noticias mais lidas
Governo de Alagoas inicia cobrança pelo uso de água de rios e poços no estado
Táxi de Arapiraca fica submerso após avanço da correnteza na Praia do Peba
[Vídeo] Polícia Civil divulga imagens da perseguição ao Guarda Municipal morto em Teotônio Vilela
Morador de Arapiraca está no interior de SP e quer voltar para Alagoas
