Contrariando lei, União isenta municípios do Plano de Saneamento e libera verba
Índices sanitários do país são alarmantes, mas cidades se livram de apresentar plano até 2019
O Jornal do Brasil, da Rede Glogo de Televisão, exibiu hoje dados alarmantes sobre as condições sanitárias do Brasil. Pela segunda vez em três anos o Governo Federal adiou a exigência do Plano de Saneamento dos municípios como contrapartida para liberar dinheiro destinado a obras de água e saneamento básico. Na prática o município não é obrigado a apresentar o plano, mas recebe a verba.
Embora a lei exista - e tenha sido criada há 11 anos - desde 2014 o governo disse que só repassaria a verba para quem apresentasse o plano no ano seguinte, mas em 2015 a União disse que a regra era outra e que o plano poderia ser apresentado até 2017. Em dezembro de ano passado o governo adiou a exigência mais uma vez, ampliado o prazo até 2019. O resultado é que em pleno século 21, de cada dez residências brasileiras, três ainda jogam esgoto direto na rua ou nos rios e mares brasileiros.
Dos 5.570 municípios brasileiros, somente 3.899 mandaram as informações para o Ministério das Cidades sobre as suas situações sanitárias, mas desse total somente 1/3 disse ter o plano. 30% dos municípios sequer enviaram informações ao Governo Federal sobre as condições de saneamento da cidade.
O governo alega ter liberado a verba para os municípios - mesmo aquelesque não têm um Plano de saneamento - para que não houvesse uma paralisação nos repasses e que atendeu pedidos da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental e da Confederação Nacional dos Municípios.
Com isso, cerca de 3,5 milhões de brasileiros que vivem nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo redes coletoras.
É o caso de Maceió. Dados do IBGE divulgados em 2016 apontam que menos da metade do esgotamento sanitário da capital alagoana é regular. Apenas 47,1% do município faz o despejo correto. Em Alagoas, a situação mais crítica é a do município de Pindoba. O IBGE aponta que apenas 0,2% do esgotamento sanitário do município é adequado, mas em muitas cidades alagoanas como Dois Riachos, Cacimbinhas, Olivença e Minador do Negrão, esse percentual não atinge percentuais muito maiores e não alcançam 1%. Cidades litorâneas - na rota do turismo - como Jequiá da Praia, Passo de Camaragibe e Porto de Pedras também apresentam índices baixíssimos de 2,1%, 3% e 4%, respectivamente.
Em Alagoas o município com maior cobertura de esgoto é a cidade sertaneja de Delmiro Gouveia, com 72,7% de esgotamento sanitário adequado. Entre os 102 municípios alagoanos, Maceió ocupa somente o 16º no ranking. Os dados incluem as redes precárias que inundam durante o período chuvoso e causam transtornos aos moradores e turistas.
No Brasil, o Norte é a região brasileira mais atrasada. É lá também que onde existe o menor índice de rede de esgoto. O caso mais grave é no estado de Rondônia. Entre a capitais, a pior é Teresina, no Piauí.
Na América Latina o Brasil está classificado em posição pior do que o Chile, a Argentina e a Colômbia. No último levantamento, o Brasil estava na posição 102, em comparação com todos os países do mundo.
Veja também
Últimas notícias
Hemoal leva equipe itinerante para captar sangue em Coruripe nesta quinta (16)
Leôncio, elefante-marinho morto em AL, é homenageado em mural do Biota
Hospital Regional de Palmeira dos Índios implanta especialidade em odontologia
Nascimento raro de 90 tartarugas-verdes é registrado no litoral de Alagoas
Fabio Costa reforça apoio a famílias de autistas e ultrapassa R$ 12 milhões em emendas destinadas
Alfredo Gaspar entrega relatório da CPMI do INSS ao STF com 216 indiciados
Vídeos e noticias mais lidas
Mistério em Arapiraca: saiba quem era o empresário morto a tiros em condomínio
Cunhado de vereador é encontrado morto a tiros dentro de condomínio em Arapiraca
Creche em Arapiraca homenageia Helena Tereza dos Santos, matriarca do Grupo Coringa
Ciclista morre após ser atingida por carro e ser atropelada por caminhão em Arapiraca
