“Modus operandi raro” diz delegado sobre elaboração do crime de Boiadeiro
SSP deu detalhes de como chegou aos suspeitos de assassinar Neguinho Boiadeiro
A Secretaria de Segurança Pública realizou coletiva no final da manhã desta sexta-feira (23), para esclarecer os detalhes da investigação que levou a Polícia Civil até três suspeitos de participação na morte do vereador por Batalha, Adelmo Rodrigues, o Neguinho Boiadeiro.
Segundo informações repassadas pela polícia, dois homens teriam criado falsos panfletos com anúncio de vagas para o cargo de serviços gerais, ofertadas por uma empresa inexistente. Os panfletos foram distribuídos a transeuntes e foram criados com o objetivo de aproximar os suspeitos da cena do crime sem chamar atenção. Com isso, eles circulavam no entorno da Câmara de Vereadores de Batalha e podiam acompanhar a rotina do alvo sem levantar suspeita. A movimentação durou quatro dias, até o cometimento do crime.
A polícia também tem imagens do dia do assassinato que mostram o carro usado pelos criminosos durante a fuga saindo da cidade de Major Izidoro, na direção de Batalha. O carro havia sido roubado quatro meses antes em Cruz das Almas, Maceió, incorporando a hipótese de crime premeditado.
Em Batalha, a polícia conseguiu o registro do mesmo veículo chegando no município momentos depois. O carro foi flagrado em pelo menos outros dois pontos do município depois do crime. Ainda em Batalha, os policiais conseguiram imagens de um circuito de segurança que mostra o momento em que os atiradores fogem depois de assassinar o parlamentar mirim. Os atiradores usaram duas 9mm no crime.
Dias depois a polícia encontrou o mesmo modelo de veículo, um Cobalt preto, incendiado em um matagal de Major Izidoro. De posse dessas informações, a polícia conseguiu traçar um mapa de rota de fuga dos atiradores.
Sobre o vereador, a polícia relata que ele saiu da sessão ordinária no dia do assassinato, antes de Boiadeiro e não levantou suspeita. Mas o vereador estaria em lista de 'marcados para morrer' elaborada pelos Boiadeiros
O delegado Cícero Lima - que preside a comissão formada também por Gustavo Xavier, Rosivaldo Vilar e com apoio de Fabrício Lima - afirmou que as investigações ainda estão na primeira fase. O delegado também relatou que o Modus operandi usado no crime é sofisticado e chamou de ‘rara’ a estratégia usada pelos criminoso para chegar ao vereador assassinado. Segundo Lima, o crime é complexo e a coleta de depoimentos pode levar a polícia a novos envolvidos.
Cícero Lima também informou, durante a coletiva, que a coleta de depoimentos é uma das maiores dificuldades enfrentadas para concluir as investigações.
Um quarto suspeito conseguiu foragir à operação deflagrada na manhã de hoje, onde mandados de busca e apreensão também foram cumpridos. A PC colheu computadores e celulares dos suspeitos, o que deve ajudar nas investigações.
Apesar das prisões de Sandro e Rafael Pinto - vereador e sobrinho - e de Maikel dos Santos, as investigações devem continuar e o inquérito ainda não foi fechado. Os detidos devem cumprir prisão temporária e têm ligação direta com o crime. A participação de cada um no assassinato e as motivações do crime não foram esclarecidas pela polícia para não atrapalhar o curso das investigações.
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