Ifal Arapiraca leva pesquisa sobre energia solar à SBPC
Célula fotovoltaica construída com materiais de baixo custo e corante de flores é uma alternativa para obter energia renovável e limpa
A preocupação com o uso de combustíveis fósseis e problemas ambientais foi o ponto de partida para uma pesquisa sobre energia solar realizada pelo Instituto Federal de Alagoas, Ifal, campus Arapiraca. Os resultados foram apresentados nesta terça-feira (24), em Maceió, na 70ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a SBPC Alagoas, realizada pela Ufal.
A aluna do quarto ano de Informática do ensino técnico integrado ao ensino médio, Vitória Rocha de Oliveira, 18, e o professor Fred Augusto Ribeiro Nogueira, da disciplina de Química, contaram como foi feita a pesquisa para produzir uma célula solar de baixo custo. “Para a utilização de energia solar, existem as células fotovoltaicas. As mais comuns são fabricadas com silício, um material caro. Então, a comunidade científica vem buscando meios de obter energia de uma forma comercialmente viável, que é a ideia do projeto. O objetivo do trabalho foi construir uma célula solar, sensibilizada com o corante de flores, com materiais de baixo custo”, explica Vitória.
Para produzir a célula foi utilizado creme dental, solução de iodo, carvão depositado pela chama de uma vela e o corante de uma flor. Foram estudadas cinco flores facilmente encontradas na região de Arapiraca, a mais conhecida é a popularmente chamada por ‘Boa noite’. E com a ajuda desses materiais, a célula de um centímetro quadrado foi produzida em duas partes, com um lado negativo e outro positivo. Os testes para medir a eletricidade gerada foram feitos e avaliados satisfatoriamente.
O professor Fred Nogueira acompanhou todo o processo e conta que os conhecimentos obtidos pela aluna foram maiores que os conteúdos dados em sala de aula. “Do ponto de vista químico, a bolsista desenvolveu processos de extração de corantes, concentração e teve contato com técnicas espectroscópicas e eletroquímicas, que foram usadas para caracterizar os materiais obtidos. Ela também usou conceitos de Física, como semicondutores e efeito fotovoltaico. Essa parte da Física foi a mais complexa porque ela precisou adquirir conhecimento de nível superior para entender como acontece o funcionamento da célula solar. Também tivemos ajuda dos professores do curso técnico de Eletroeletrônica do Ifal para determinar os parâmetros da célula solar”.
A pesquisa durou cerca de um ano, contou com a ajuda da vizinha de Vitória, que cedeu as flores para os testes e com o apoio voluntário da aluna Natanielly de Oliveira, 18, também do curso técnico de Informática do Ifal. O projeto foi desenvolvido em parceria com o grupo de Polímeros Conjugados Eletrocrômicos e Fluorescentes da Ufal, supervisionado pela professora Adriana Santos Ribeiro.
Agora, a pesquisa continua em busca de maior estabilidade para o dispositivo. “A célula solar foi montada e nós estamos otimizando as condições para melhorar o seu desempenho. Nós estamos testando dois corantes diferentes e ambos estão apresentando resultados satisfatórios”, adianta o professor.
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